domingo, 28 de setembro de 2008

Encontro Inês, mulheres, Recife

2001, 7 a 12 de maio, I Encontro Brasileiro de Mulheres Comunicadoras Comunitárias.
Ousar, transmitir e resistir sempre!
Recife, Pernambuco.
Êta Recife bão, Sandrinha Camurça!

Chegando lá, dividiria o quarto com mais três companheiras, uma delas, Maria Inês Amarante, logo ficamos íntimas, mesmo estando em oficinas diferentes.

Terminado o encontro, cada uma voltou ao seu Estado, fora, as que dali eram ou estavam.
Foram os únicos dias que estive em companhia prazerosa de uma mulher, de muitas viagens e porreta nas lutas.


Depois disso, nosso contato passou a ser virtual. Outro dia ela me enviou uma mensagem com uma cartilha, que resolvi publicá-la no Recanto, mas isto é outra história, mas é por causa dela que conto da Inês.

Muito convenientemente, fiz uma edição dos imeios que recebi, então usarei das próprias palavras da Inês para escrever dela.

Então você tá me pesquisando, heim? Não sou conhecida não, só tem que publiquei alguns trabalhos que aparecem na web e meu nome não fica assim em vão...

Em Europa, morei por quase 13 anos, entre Luxemburgo, França e Bélgica (este país por mais tempo).
Depois estive no Ceará por 6 anos na cooperação ONG (até final de 2001).
Depois 1 ano no Timor-Leste, na Asia (entre 2005-06).
Agora, estou paulistando, sou bolsista do CNPq na PUC, fazendo doutorado com bolsa integral (ufa!!) e tenho mais 2 anos para concluir tudo. Estou estudando teorias, discutindo teorias, pensando em minhas ações práticas, em minha praxis diante dessas teorias todas.

Meu programa Safari, que ganhou premio do MINC Fundação Palmares.

Concurso Palmares – programas de rádio para dowload - Safari - uma viagem afro-brasileira,
aqui.
e tenho uma mini entrevista no Youtube falando dele também,
www.youtube.com/watch?v=cp3HmgHabLk.

Entrevistas na mídia impressa: - VERAS, Dauro. Observatório Social DIEESE. Uma educadora brasileira em Timor Leste, 2006. Disponível aqui.

Um artigo publicado no Intermidias, aqui:

Também pode buscar no meu CV Lattes (site do cnpq - Plataforma Lattes)


Boas novas, sempre dividimos com prazer! Estou na finalíssima do concurso "Causos do ECA", da Fundação Promenino da Telefônica. Entre os 20, serão escolhidos 6 causos.

Para ler o texto e votar, basta entrar aqui.

ECA na escola
Maria Inês Amarante - São Paulo - São Paulo

Texto: O maior presente

Me sinto tão emocionada - e olha que é tudo verdade - de pensar em tudo o que houve e o quanto teria sido bom continuar com aquela turma. Mas, como diz o Chico Buarque: "vida veio e me levou"- passei a atuar em outras paragens, só que no mesmo sentido e sentindo tantas outras emoções - e sem querer plagear o Roberto Carlos: "sãs tantas as emoções"é só a gente abrir o coração. Nem sei o que dizer se por acaso ganhar algum prêmio, pois acho que só vou chorar... mas, antes de tudo, é de saudade mesmo. Vire e mexe algum aluno me reencontra no orkut, no e-mail, fala comigo, manda mensagem de carinho. Acho que para quem desejou tanto um filho prá criar e não teve, essa lida com alunos me faz sentir um pouco mãe de alguns.


Um aviso: Não se incomodem se um certo cadastro incomodar quem decidir por votar.

Inté :)

besos <;o)


segunda-feira, 22 de setembro de 2008

segunda parte

A abolição da religião enquanto felicidade ilusória dos homens é a exigência da sua felicidade real. O apelo para que abandonem as ilusões a respeito da sua condição é o apelo para abandonarem uma condição que precisa de ilusões. A crítica da religião é, pois, o germe da crítica do vale de lágrimas, do qual a religião é a auréola.
A crítica arrancou as flores imaginárias dos grilhões, não para que o homem os suporte sem fantasias ou consolo, mas para que lance fora os grilhões e a flor viva brote. A crítica da religião liberta o homem da ilusão, de modo que pense, atue e configure a sua realidade como homem que perdeu as ilusões e reconquistou a razão, a fim de que ele gire em torno de si mesmo e, assim, em volta do seu verdadeiro sol. A religião é apenas o sol ilusório que gira em volta do homem enquanto ele não circula em torno de si mesmo.
Conseqüentemente, a tarefa da história, depois que o outro mundo da verdade se desvaneceu, é estabelecer a verdade deste mundo. A tarefa imediata da filosofia, que está a serviço da história, é desmascarar a auto-alienação humana nas suas formas não sagradas, agora que ela foi desmascarada na sua forma sagrada. A crítica do céu transforma-se deste modo em crítica da terra, a crítica da realidade em crítica do direito, e a crítica da teologia em crítica da política.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

outro, em duas partes

CRÍTICA DA FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL - INTRODUÇÃO (1) - Karl Marx

No caso da Alemanha, a Crítica da religião chegou, no essencial, ao seu fim; e a crítica da religião é o pressuposto de toda a crítica.
A existência profana do erro está comprometida, depois que sua oratio pro aris et focis (2) celestial foi refutada. O homem, que na realidade fantástica do céu, onde procurara um ser sobre-humano, encontrou apenas o seu próprio reflexo, já não será tentado a encontrar a aparência de si mesmo – apenas o não-humano – onde procura e deve procurar a sua autêntica realidade.
É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o homem não é um ser abstrato, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d’honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião.
A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo.

(1) O texto “Kritic der Hegelschen Rechtsphilosophie – Eilentung” foi escrito entre dezembro de 1843 e janeiro de 1844 e publicado nos Anais Franco-Alemães (Deustch-Französische Jahbücher) em 1844. Traduzido por Raul Mateos Castell.
(2) “Oração para altar e fogão”.
(...)
beijos.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

pedaço de um texto

Li essa semana um texto, impresso, e transcrevi os três primeiros parágrafos, abaixo, e um trecho, onde o autor escreve sobre a palavra.

A Pedagogia da Contaminação – José Ortega y Gasset

Texto do manuscrito preparatório da conferência, proferida em 1917, na Escola Superior do Magistério.
Tradução: Thiago Arruda

O que os senhores vão escutar agora não é uma lição, nem tão pouco um ensinamento. Dia após dia se afirma em mim a suspeita de que nada que em verdade mereça e valha a pena ser aprendido, pode a rigor ser ensinado. Por maiores que sejam os afãs do professor, sempre haverá uma última determinação, uma derradeira clareza, uma gota mais saborosa do sumo científico ou artístico, que ele não poderá transmitir-nos, e que teremos que conquistar como nosso próprio e penoso esforço. E essa última precisão, essa derradeira clareza, essa, que é a mais saborosa e essencial gota do sumo é, na ciência, na arte e na vida: tudo. Todo o resto existe apenas como vaso e artifício, para impedir que esse valor essencial se evapore e desvaneça.
Perpassa por toda pedagogia, essencialmente na contemporânea, uma triste e deselegante hipocrisia, com a qual pode compactuar aquele que fez do pacto sua norma de conduta, mas que para um ânimo indócil só desdém pode inspirar.
Ao que chamam nossas escolas ensinar ciências? A descarregar sobre a alma dos alunos uma massa de doutrinas já feitas, ou quando mais um doutrinário de métodos para investigação. Manso e beato trabalho! Mas através de seu fácil tecido escapa-se o ser mesmo da ciência, como água em uma peneira; e o que sobra na alma do aluno é justamente o oposto à ciência: o dogmatismo. Porque o real e o concreto da ciência é a atividade sem descanso do intelecto, que com coragem se enfrenta perigosamente com os problemas, e com eles luta para lhes dar solução. E a solução a que se chega, como ao chegar a um cume mais alto, aumenta o círculo dos problemas e tem de ser corrigida, servindo apenas de ponto de apoio e pretexto para um novo avanço, como a terra serve àquele que caminha apenas para ser tocada com o calcanhar e dar início a um novo passo. Quando o físico acaba de escrever a última página do seu tratado de física, já não pensa da física o que diz seu tratado, o seu pensamento já foi além daquela momentânea cristalização do seu esforço; já é problema aberto muito do que na sua obra parece solução fechada, a proa inquieta da sua mente alerta já se encontra rumo a novas costas, longínquas e confusas. Tomando-se pois, sem ironia a ciência de livro, a ciência conclusa e petrificada, toma-se exatamente o oposto à ciência verdadeira, que não é feita de conclusões, que é a ação intelectual fluindo em perpétua superação de si mesma. A ciência flui através dos livros como o rio, móbil e líquido, pelo seu leito, sólido e quieto. O que se ensina nas escolas modernas de todo o mundo é a ciência congelada, paralisada, suplantada, dogmatizada: um caule estéril e seco, pelo qual não correm mais as gotas essenciais. Por sorte nunca faltam homens que, apesar da escola, e às vezes fora dela, sentem originalmente brotar em seus peitos a fonte da curiosidade científica!
(...)
São as palavras, senhores, místicas e incorpóreas ampulhetas que se desprendem dos sonhos da alma, e que no ar vibrátil, às vezes se quebram, derramando seu licor interno.
(...)

domingo, 14 de setembro de 2008

*

As sobrantes


Imagens

Você escuta a respeito do tumulto.
Lá fora, o sol morre uma vez mais:
É inverno.
Enquanto uns cobrem-se
com seus fartos cobertores,
noutros, as notícias andam pelos corpos,
caixas que um dia contiveram caixas,
sustentam sob as marquises, carnes.
Não mande fulano comer grama
chamando-o sutilmente de animal,
pois você pasta
e se pensar bem,
seu pasto não é tão farto assim.



ele ela

Ele não quer olhar o que ela lhe diz neste dia,
nem nele está.
Ele não diz:
- Semana passada, dia vinte, quarta-feira
às dezessete horas, trinta e cinco minutos e cinqüenta segundos aconteceu-me de ...
Ela lhe diz:
- Sobre a fogueira me deixarão.
Transformar-me-ão em cinzas
num treze duma sexta.
Do século dezesseis ao vinte vaguei...

Eram exatamente cinco horas, cinqüenta e nove minutos e cinqüenta e nove segundos
quando ela se deparou com ele.
Era o fim da madrugada.


Unidos pelo Asterisco
O novo nome que eles receberam.

E, clicando em qualquer um abaixo, chegará em algum.

* * * * *
* * *
beijos.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

*

Cenas


Quando meus cachos crescerem, retornarei.
Não direi dos barbados,
Os hormônios para mais, são outros
Dormirei com cheiros das ruas e dos suores
As andanças me vêem e eu as vejo
A menina cheirada faminta prende a porta
O menino na calçada obtura o rato
E nos pulmões, as marcas do paiozo.




Sexta-feira passada, dia 05, adeus ao jornalista Fausto Wolff, mas não ao trabalho que ele deu início
http://www.olobo.net/.
Lembro de uma frase, dele, que senti a maior firmeza, publicada no Resumo do Professor Marcelo:

"Não é fácil para mim compreender o sucesso das religiões cristãs quando tenho certeza de que o último cristão verdadeiro morreu na cruz."


Saravá Fausto!

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

uma canção

Um Girassol da Cor de Seu Cabelo
Composição: Lô Borges/Márcio Borges


Vento solar, estrelas do mar
A terra azul da cor do seu vestido
Vento solar, estrelas do mar
Você ainda quer morar comigo?
Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia
Como vai você?

Sol, girassol, vejo o vento solar
Você ainda quer morar comigo
Vento solar estrelas do mar
Um girassol da cor de seu cabelo
Se eu morrer não chore não
É só a lua
É seu vestido cor de mar
É filha lua
Ainda moro nesta mesma rua
Como vai você?
Você vem?
Ou será que já é tarde demais?

Se eu cantar não chore não
É só poesia
Eu só preciso ter você
Por mais um dia
Ainda gosto de dançar
Bom dia Como vai você?
Você vem?
Será que é tarde demais?

O meu pensamento tem a cor de seu vestido
como um girassol que tem a cor de seu cabelo

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

*

Um Sonho

O loiro e o ruivo confundindo-se
sob grandes casacos gêmeos
_ Tão brancos! Fofos e peludos!

Em sonho, fui conivente
com a morte de dois ursos.

Seriam eles parentes
do casal acasalado de borboletas
mortas ao portão?

terça-feira, 2 de setembro de 2008

um tempo para uma seqüência

Outro dia escutei esta que vai.
O Sommmmmmmmm!!!
Noite Do Prazer
Claudio Zoli

Composição: Claudio Zoli

A noite vai ser bôa
Bôa!
De tudo vai rolar
Vai rolar!
De certo que as pessoas
Querem se conhecer
Olham e se beijam
Numa festa genial...
A madrugada, a vitrola
Rolando um blues
Tocando B.B.King sem parar
Sinto por dentro uma força
Vibrando uma luz
A energia que emana
De todo prazer...



Nos Barracos da Cidade
Gilberto Gil
Composição: Liminha e Gilberto Gil

Nos barracos da cidade
Ninguém mais tem ilusão
No poder da autoridade
De tomar a decisão
E o poder da autoridade, se pode, não faz questão
Mas se faz questão, não
Consegue
Enfrentar o tubarão
Ôôô , ôô
Gente estúpida
Ôôô , ôô
Gente hipócrita

Vulcão Dub/Fui Eu
Os Paralamas Do Sucesso


Há algo errado no paraíso
É muito mais que contradição
Sou eu caindo num precipício
Você passando num avião
Você olhou, fez que não me viu
Foi como se eu não estivesse ali
Desligou a luz, deitou, dormiu
Nem pensou em se divertir
Vai ver que a confusão
Fui eu que fiz fui eu


Pro Dia Nascer Feliz
Cazuza
Composição: Cazuza / Frejat

Todo dia a insônia
Me convence que o céu
Faz tudo ficar infinito
E que a solidão
É pretensão de quem fica
Escondido, fazendo fita
Todo dia tem a hora da sessão coruja
Só entende quem namora
Agora vam'bora
Estamos, meu bem, por um triz
Pro dia nascer feliz
Pro dia nascer feliz
O mundo acordar
E a gente dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar
E a gente dormir

Bateu uma puta saudade de ser ouvinte da extinta 102.5 Santê FM.