sexta-feira, 19 de setembro de 2008

outro, em duas partes

CRÍTICA DA FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL - INTRODUÇÃO (1) - Karl Marx

No caso da Alemanha, a Crítica da religião chegou, no essencial, ao seu fim; e a crítica da religião é o pressuposto de toda a crítica.
A existência profana do erro está comprometida, depois que sua oratio pro aris et focis (2) celestial foi refutada. O homem, que na realidade fantástica do céu, onde procurara um ser sobre-humano, encontrou apenas o seu próprio reflexo, já não será tentado a encontrar a aparência de si mesmo – apenas o não-humano – onde procura e deve procurar a sua autêntica realidade.
É este o fundamento da crítica irreligiosa: o homem faz a religião, a religião não faz o homem. E a religião é de fato a autoconsciência e o sentimento de si do homem, que ou não se encontrou ainda ou voltou a se perder. Mas o homem não é um ser abstrato, acocorado fora do mundo. O homem é o mundo do homem, o Estado, a sociedade. Este Estado e esta sociedade produzem a religião, uma consciência invertida do mundo, porque eles são um mundo invertido. A religião é a teoria geral deste mundo, o seu resumo enciclopédico, a sua lógica em forma popular, o seu point d’honneur espiritualista, o seu entusiasmo, a sua sanção moral, o seu complemento solene, a sua base geral de consolação e de justificação. É a realização fantástica da essência humana, porque a essência humana não possui verdadeira realidade. Por conseguinte, a luta contra a religião é, indiretamente, a luta contra aquele mundo cujo aroma espiritual é a religião.
A miséria religiosa constitui ao mesmo tempo a expressão da miséria real e o protesto contra a miséria real. A religião é o suspiro da criatura oprimida, o ânimo de um mundo sem coração e a alma de situações sem alma. A religião é o ópio do povo.

(1) O texto “Kritic der Hegelschen Rechtsphilosophie – Eilentung” foi escrito entre dezembro de 1843 e janeiro de 1844 e publicado nos Anais Franco-Alemães (Deustch-Französische Jahbücher) em 1844. Traduzido por Raul Mateos Castell.
(2) “Oração para altar e fogão”.
(...)
beijos.

3 comentários:

adelaide amorim disse...

Gostando de ver, menina! É por aí que se chega ;)
Beijo e bom fim de semana.

Jens disse...

Uau, Feiticeira, você me fez lembrar os velhos tempos dos grupos de estudos, quando tentávamos decifrar o mundo a partir de Marx, Engel e Lenin, entre outros. Pedreira, mas também um desafio estimulante.
Um beijo.

Vais disse...

Olá Adelaide,
A desconstrução não é tarefa fácil
construímos destruímos reconstruímos
A queda de pilares tidos como verdadeiros não acontece sem que haja luta, e tudo o que pode implicar, desde a ‘mansidão’ às tragédias, esta palavra.
Os ricos, os milionários, os empresários, os donos, os proprietários, matam, destroem, mentem, manipulam, compram, vendem, entorpecem, pra não dividirem e para conseguirem mais e mais e mais...
Beijo pra você e volte sempre... que desejar, heheh e boa semana Adelaide

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Simpático Jens, algumas coisas, eu falo, tomei conhecimento em idades mais avançadas que o ‘normal’. A universidade, por exemplo, só fui botar os pés lá aos 26 anos, em Viçosa, curso de Física, não conclui, e o tempo foi curto para desenvolver este tipo de estudo. De volta a BH, me apresentaram a Santê, e o desejo inicial de colocar pra tocar umas músicas e falar, a Rádio se tornou uma escola de formação, todo um universo de teorias e práticas, e de na sua maioria, militantes ou não de movimentos, mas combatentes de uma estrutura perniciosa como é a do capitalismo, e de alguma forma estou aqui compartilhando com vocês desse meu processo de des re construção descobertas experimentações. Hoje tenho comigo que a vida se confunde se entranha com a liberdade, não há vida no capitalismo pois ele não liberta e não há vida aprisionado; as ‘igrejas’ não libertam, elas julgam e condenam, tomara um dia estas construções tenham outra serventia, e por aí vai meu amigo.
Beijos pra ti e pros chegados y beuna semana