quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Só mais um bocadinho de prosa


E assim , milagrosamente
Nessa luminosidade
A imagem se projeta na retina
Sendo levada pra lá e pra cá...
Graças ao cristalino
Pra frente e para trás...
E o cérebro comanda
E então, eu vejo
Como no filme da fotografia
A imagem é invertida
E não vemos nada
Nem sabemos de nada

(Às luzes, flor, dos meus olhos.
Homenagem a Milton Santos.)
Valdisnei/07

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Sou das antigas. Na ponta da agulha,


O Que é, o Que é?
Gonzaguinha
Composição: Gonzaguinha

Eu fico com a pureza da resposta das crianças
É a vida, é bonita e é bonita
Viver e não ter a vergonha de ser feliz
Cantar.. (E cantar e cantar...)
A beleza de ser um eterno aprendiz


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terça-feira, 30 de outubro de 2007

*


Saudação

Sou o que sou. Nasci sob o Sol.
No firmamento não havia noite nem Lua,
ou mesmo outros planetas que regessem
ou assistissem ao meu nascimento.
Somente a estrela quente emitia raios...
E como raios, vieram trespassando e rasgando
as atmosferas pelos caminhos.
Veio diretamente abater-se sobre mim.
Ganhou cores.
Carregou-se de melanina.
Expulso nas savanas, eu nu, saio das águas.
O cordão a envolver-me rasteja a espera do pico...
_ Não me dê falsas esperanças dizendo ser a dor,
uma simples mordida de uma lava-pés faminta.
Uma revoada de pássaros!
Uma manada faz retumbar o chão!
Felinos de pêlos eriçados, rugem.
Enquanto hienas gargalham
com olhos lacrimejantes.
E eu nu, espero.
De pálpebras coladas só sinto a escuridão na qual me transformei.
A imensa agulha demorou-se pouco.
Uma sensação negra encheu-me as veias,
os poros e encrespou-me os cabelos.
A reação foi imediata,
um campo formou-se
em torno dos lábios e do coração.
Abro os olhos e olho:
O poente criar asas.
Vindo em minha direção, ouço:
ENGULA-ME!
Assim faço ao escancarar a boca
e ingerir moléculas púrpuras,
mas de repente a certeza
dum medo
me faz impotente

e um grito sobe
e sai alucinante.
Sem eco.
Um som puro
que faz tudo em volta
parar para vê-lo
e ouvi-lo:
_ NA MAS TÊÊÊÊÊÊ!



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Resolvi enriquecer alguns dos escritos, poemas, poesias, que restam
com o PetShopMundoCão de Zeca Baleiro.
a primeira que vai é a décima,

As meninas dos jardins

o sol nas bancas de revista
e na capa da revista
sombra grana e água fresca
vejo novos ricos
vejo velhos pobres
não vi ninguém abrir a boca
mas ouvi o grito
deus misericórdia de nossa miséria
caravela de cabral
morte e vida severina
as meninas dos jardins gostam de rap
as meninas dos jardins gostam de rap
as meninas dos jardins gostam de happy end

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segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Prosa contra o racismo

Uma prosa do Val, o amigo e companheiro.



A pupila não é preta

Ela ajuda a proteger esta preciosíssima dádiva: nossa visão
Unindo modelando a luz: a reunião de todas as cores
Iluminando a realidade física, ao mesmo tempo
sua intensidade: destrói as sensíveis estruturas da retina
Onde o fluxo de luz é admitido
e regulado pela pupila do olho.
É como um portal, uma porta, e sem ela, nenhuma luz é percebida.
Com excesso de luz: se contrai, para proteger as delicadas estruturas da retina
Na falta: dilata-se, para enxergar na escuridão ou em lugares muito
escuros
Sua aparência preta é enganadora: torna-se radiante
Quando o interior do olho é iluminado, cheia, com um calor
Um brilho laranja-avermelhado: a pupila se torna
ela mesma a fonte de iluminação.

Valdisnei/07
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Pra acompanhar,
um som d'O Rappa
do disco O Rappa
primeiro disco da banda
lançado em 1994.
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sábado, 27 de outubro de 2007

*

É o lance que rola.
>Sandrinha Camurça<, Seu Esfuminho
me inspiraram a mostrar este,
dos vinte e quatro que restam.
E fumo é fumo em qualquer canto,
seja fuminho ou aquele
fumão de rolo goiano.


Exes

Escrevo no es...
Não poderia ser es curo - Lá acontece coisas
Um es critório - Estilo pouco acadêmico
Es tômago - Sensações polêmicas
No es paço, es paçonave es telar
es perava ex traterrestre ex traviado.
E todos aqueles ex
Bonitos ex
Bem feitos ex
Neurados ex
Obsessivos ex
E foram tantos, que se tornaram queimados exes.

):-) :o} :o] :o) :-) :c] (:o}

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Frei Betto

Buenas!

Tenho uma admiração pelo Frei Betto, por tudo que li e venho lendo dele.
Ele escreve na Revista Caros Amigos, na edição deste mês, como sempre vale conferir, não só o Frei Betto, com seu texto A caverna de Platão, mas toda a Revista.
Tenho prazer de postar neste canto de caxanga este texto que vai, trazido daqui:


20 DE OUTUBRO DE 2007 - 11h10
Frei Betto: "Como endireitar um esquerdista"

Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar-se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social. Por Frei Betto

Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros.
Ser esquerdista - patologia diagnosticada por Lênin como "doença infantil do comunismo" - é ficar contra o poder burguês até fazer parte dele. O esquerdista é um fundamentalista em causa própria.
Encarna todos os esquemas religiosos próprios dos fundamentalistas da fé. Enche a boca de dogmas e venera um líder. Se o líder espirra, ele aplaude; se chora, ele entristece; se muda de opinião, ele rapidinho analisa a conjuntura para tentar demonstrar que na atual correlação de forças...
O esquerdista adora as categorias acadêmicas da esquerda, mas iguala-se ao general Figueiredo num ponto: não suporta cheiro de povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só lhe parece concreto na hora de cabalar votos. Então o esquerdista se acerca dos pobres, não preocupado com a situação deles, e sim com um único intuito: angariar votos para si e/ou sua corriola. Passadas as eleições, adeus trouxas, e até o próximo pleito!
Como o esquerdista não tem princípios, apenas interesses, nada mais fácil do que endireitá-lo. Dê-lhe um bom emprego. Não pode ser trabalho, isso que obriga o comum dos mortais a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um desses empregos que pagam bom salário e concedem mais direitos que exige deveres. Sobretudo se for no poder público. Pode ser também na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista se sinta aquinhoado com um significativo aumento de sua renda pessoal.
Isso acontece quando ele é eleito ou nomeado para uma função pública ou assume cargo de chefia numa empresa particular. Imediatamente abaixa a guarda. Nem faz autocrítica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função de poder, produz a imbatível alquimia capaz de virar a cabeça do mais retórico dos revolucionários.
Bom salário, função de chefia, mordomias, eis os ingredientes para inebriar o esquerdista em seu itinerário rumo à direita envergonhada - a que age como tal mas não se assume. Logo, o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troca a cachaça pelo vinho importado, a cerveja pelo uísque escocês, o apartamento pelo condomínio fechado, as rodas de bar pelas recepções e festas suntuosas.
Se um companheiro dos velhos tempos o procura, ele despista, desconversa, delega o caso à secretária, e à boca pequena se queixa do "chato". Agora todos os seus passos são movidos, com precisão cirúrgica, rumo à escalada do poder. Adora conviver com gente importante, empresários, ricaços, latifundiários. Delicia-se com seus agrados e presentes. Sua maior desgraça seria voltar ao que era, desprovido de afagos e salamaleques, cidadão comum em luta pela sobrevivência.
Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, a cooptação, as maracutaias operadas com esperteza (embora ocorram acidentes de percurso. Neste caso, o esquerdista conta com o pronto socorro de seus pares: o silêncio obsequioso, o faz de conta de que nada houve, hoje foi você, amanhã pode ser eu...).
Lembrei-me dessa caracterização porque, dias atrás, encontrei num evento um antigo companheiro de movimentos populares, cúmplice na luta contra a ditadura. Perguntou se eu ainda mexia com essa "gente da periferia". E pontificou: "Que burrice a sua largar o governo. Lá você poderia fazer muito mais por esse povo."
Tive vontade de rir diante daquele companheiro que, outrora, faria um Che Guevara sentir-se um pequeno-burguês, tamanho o seu aguerrido fervor revolucionário. Contive-me, para não ser indelicado com aquela figura ridícula, cabelos engomados, trajes finos, sapatos de calçar anjos. Apenas respondi: "Tornei-me reacionário, fiel aos meus antigos princípios. E prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles."


Avoz, ossom. O som da voz da voz da voz da voz.....



Janis Joplin
Mercedes Benz
Composição: Bob Neuwirth, Janis Joplin & Mike McClure






Oh Lord, won't you

Buy me a Mercedes Benz?

My friends all drive porsches

I must make amends

Worked hard all my life time

No help from my friends

So Lord, won't you

Buy me a Mercedes Benz?

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Concurso

Em 2004 participei de um concurso de poesias aqui em Belo Horizonte, MG. Foi isto, concorri a algum prêmio, não ganhei nenhum. Valeu? Sim.
Quando tomei conhecimento do concurso e resolvi participar, não daria tempo para escrever coisas novas.
Fui fuçar, e foi aí que tudo ficou bagunçado.
O que mais me agradou foi a excitação de escolher, revisar e dar título às poesias, hoje vejo que nem todas são, estão mais para uns escritos, mesmo, e sempre com uma olhadela aqui ou ali.
Vou apresentá-los, são vinte e seis, não todos de uma vez, dois estão no Recanto, atual nabatidadoprego.

* e *.






Crianças deste nosso Brasil que encanta, com vocês:
A Arca de Noé -

Vinícius de Moraes -
1980



19/10/1913
Parabéns, saravá, brinde e salve, Vinícius de Moraes!

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Ler e Escrever

A canjica logica
Sem acento
?Dónde está la lógica?
Pela Mãe Natureza!
A busco na lógica:
Está aberto o leilão

(e o papel do fulano é bater o martelo)!
Quem dá mais?
O desmatamento.
Quem dá mais?
Floresta em pé.
Quem dá mais?
Árvores mortas.
Quem dá mais?
Commodity, dou-lhe uma!
Soja, dou-lhe duas!
Especulação, dou-lhe quatro!
Mercado, leva tudo!
Amazônia, dou-lhe uma palavra: Vida.
Meio ambiente, dou-lhe uma palavra: Preservação.
Natureza, dou-lhe um pensamento: Prática.

Cada um tem suas manias, seus hábitos, fidelidades particulares, perfeccionismos e tal, com relação ao que produz, eu me valho de algumas destas cositas quando necessário e conveniente.
A significação que dou às datas, por exemplo, é para não se perder o contexto em que o dito escrito pulou pra fora, e às dedicatórias, outro exemplo, sinto uma homenagem, um lance íntimo que rola entre as partes, nem que seja unilateral, aquelas feitas aos do século passado e outras, umas bem engraçadas.
Comecei a escrever, poemas, poesias, sequências poéticas como chamei, ou simplesmente escritos, e às vezes era constrangedor, pois ficava numa falta de denominação pra eles, mas no geral e sem constrangimentos, decidi chamá-los poemas, poesias, pequenas histórias ou pequenos contos, ou escritos mesmo. E o início foi depois de ler e escrever todos os poemas de Apontamentos de História Sobrenatural, do Mário Quintana. Nunca tive, e ainda hoje, preocupação, se o que eu escrevo se encaixa em algum estilo literário, eu vou escrevendo, meu interesse são as palavras, seus sentidos, significados, as ações que as precedem ou antecedem e a montagem disso, idependente do tema.
Isto, de escrever, aconteceu em 1994, de lá pra cá juntei papéis, algumas agendas e cadernos, e não há muito tempo, resolvi separá-los. Deu algum trabalho, pois os papéis estavam misturados, muitos sem datas, outros com estas riscadas, impossíveis de identificar, então coloquei a atenção em outros detalhes, em pormenores, nas palavras usadas, no sentido, no momento (a lembrança), para separá-los. Estou ainda neste processo com alguns, que pairam sem saber a que período pertencem.
Feita a divisão por períodos, cada um recebeu um nome.

Então, de 1994 a 1998 chamei Desabrochar;
De 1998 a 2002, Conversão;
E de 2002 em diante, Pós Partus.


O sommmmm!!!!!!

Todo o disco, todas as canções,
todas as letras, todos os arranjos
do Pet Shop Mundo Cão de Zeca Baleiro.




Frases do encarte:



Era um artista de balas perdidas
Nunca acertou o seu público-alvo
*
O riso de malandro
Não disfarça o otário
Outrora poeta
Hoje publicitário
*
Jamais abolerar o acaso
*
Uma canção é só uma canção
Um uivo na noite deste mundo cão
A raiva e a calma no rádio da alma
Na palma da mão palavra silêncio
Ruído quimera quem dera eu fosse
O cantor infame dessa multidão
************
*******
**

domingo, 14 de outubro de 2007

Parte quatro

VII
Súbito vimos ao mundo
e nos chamamos Ernesto
Súbito vimos ao mundo
e estamos
na América Latina
Mas a vida onde está?
Nos perguntamos
Nas tavernas?
Nas eternas tardes tardas?
Nas favelas
onde a história fede a merda?
No cinema?
Na fêmea caverna de sonhos
e de urina?
Ou na ingrata
faina do poema?
(a vida
que se esvai
no estuário do Prata)
Serei cantor
serei poeta?
Responde o cobre (da Anaconda Cooper):
Serás assaltante
e proxeneta
policial jagunço alcagüeta
Serei pederasta e homicida?
Serei viciado?
Responde o ferro (da Betlhem Steel):
Serás ministro de Estado
e suicida
Serei dentista?
Talvez quem sabe oftalmologista?
Otorrinolaringologista
Responde a bauxita (da Kaiser Aluminium):
serás médico aborteiro
que dá mais dinheiro
Serei uma merda
quero ser uma merda
Quero de fato viver.
Mas onde está essa imunda
vida - mesmo imunda?
No hospício?
Num santo
ofício?
No orifício
da bunda?
Devo mudar o mundo,
a República? A vida
terei de plantá-la
como estandarte
em praça pública?


VIII
A vida muda como a cor dos frutos
lentamente
e para sempre
A vida muda como a flor em fruto
velozmente
A vida muda como a água em folhas
o sol em luz elétrica
a rosa desembrulha do carbono
o pássaro, da boca
mas
quando for tempo
E é tempo todo tempo
mas
não basta um século para fazer a pétala
que um só minuto faz
ou não
mas
a vida muda
a vida muda o morto em multidão

( Rio, 24/07/69)



El sonido de la canción Los Hermanos de Atahualpa Yupanqui, pseudônimo usado pelo argentino Héctor Roberto Chavero, em homenagem a Atahualpa e Tupac Yupanqui, os últimos governantes incas.

Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar
en el valle en la montaña
en la pampa y en el mar.
Cada cual con sus trabajos,
con sus sueños cada cual
Con la esperanza adelante,
con los recuerdos detrás.
Yo tengo tantos hermanos
que no los puedo contar.


O POEMA Dentro da Noite Veloz, um poema dedicado ao Che, faz parte do livro, que levou o mesmo título por ter sido forte e significativo, escrito por Ferreira Gullar. O livro reúne poemas de 1962 a 1975, neste mesmo ano foi publicado.

Carlos Puebla, um senhor cantante cubano.

Silvio Rodríguez, também cubano, e tenho um apreço por este.


Neste out/07, a Revista Caros Amigos soltou uma edição especial, O Che combatente e intelectual.

Hasta la vista y besitos.

sábado, 13 de outubro de 2007

Parte três

VI
A noite é mais veloz nos trópicos
(com seus na vertigem das folhas na explosão
monturos) das águas sujas
surdas
nos pantanais
é mais veloz sob a pele da treva, na
conspirações de azuis
e vermelhos pulsando
como vaginas frutos bocas
vegetais
(confundidos nos sonhos)
ou
um ramo florido feito um relâmpago
parado sob uma cisterna d’água
no escuro
É mais funda
a noite do sono
do homem na sua carne
de coca
e de fome
e dentro do pote uma caneca
de lata velha de ervilha
de Armour Company

A noite é mais veloz nos trópicos
com seus monturos
e cassinos de jogo
ente as pernas das putas
o assalto
a mão armada
aberta em sangue a vida
É mais veloz
(e mais demorada)
nos cárceres
a noite latino-americana
entre interrogatórios
e torturas
(lá fora as violetas)
e mais violenta (a noite)
na cova da ditadura
Sob a pele da treva, os frutos
crescem
conspira o açúcar
(de boca para baixo) debaixo
das pedras, debaixo
da palavra escrita no muro

ABAIX

E inacabada
O´ Tlalhuicole
as vozes soterradas da platina
Das plumas onde ondularam já não resta
mais que lembrança
no vento
Mas é o dia ( com
seus monturos)
pulsando
dentro do chão
como um pulso
apesar da South American Gold and Platinum
é a língua do dia
no azinhavre
Golpeábamos en tanto los muros de adobe
y era nuestra herancia una red de agujeros

é a língua do homem
sob a noite
no leprosário de San Pablo
nas ruínas de Thiauanaco
nas galerias de chumbo e silicose
da Cerro de Pasco Corporation
Hemos comido grama salitrosa
piedras de abode largatijas ratones
tierra en polvo y gusanos
até o dia
( de dentro dos monturos) irrompa
com seu bastão de turquesa

(não acabou)

El sonido de la canción Fusil contra Fusil de Silvio Rodríguez.

El silencio del monte va

preparando un adiós.

la palabra que se dirá in memoriam

será la explosión.

=> A foto acima foi tirada pelo prórpio Che.

Hasta.




quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Parte dois


IV
Correm as águas do Yuro, o tiroteio agora
é mais intenso, o inimigo avança
e fecha o cerco.
Os guerrilheiros
em grupos pequenos divididos
agüentam
a luta, protegem a retirada
dos companheiros feridos.
No alto,
grandes massas de nuvens se deslocam lentamente
sobrevoando países
em direção ao Pacífico, de cabeleira azul.
Uma greve em Santiago. Chove
na Jamaica. Em Buenos Aires há sol
nas alamedas arborizadas, um general maquina um golpe.
Uma família festeja bodas de prata num trem que se
aproxima de Montevidéu. À beira da estrada
muge um boi da Swift. A Bolsa
no Rio fecha em alta ou baixa.
Inti Peredo, Urbano, Eustáquio, Nato
castigam o avanço
dos rangers.
Urbano tomba
Eustáquio,
Che Guevara sustenta
o fogo, uma rajada o atinge, atira ainda, solve-se-lhe
o joelho, no espanto
os companheiros voltam
para apanhá-lo. É tarde. Fogem.
A noite veloz se fecha sobre o rosto dos mortos.

V
Não está morto, só ferido.
Num helicóptero ianque
é levado para Higuera
onde a morte o espera
Não morrerá das feridas
ganhas no combate
mas de mão assassina
que o abate
Não morrerá das feridas
ganhas a céu aberto
mas de um golpe escondido
ao nascer do dia
Assim o levam pra morte
(sujo de terra e de sangue)
subjugado no bojo
de um helicóptero ianque
É o seu último vôo
sobre a América Latina
sob o fulgor das estrelas
que nada sabem dos homens
que nada sabem do sonho,
da esperança, da alegria,
da luta surda do homem
pela flor de cada dia
É seu último vôo
sobre a choupana de homens
que não sabe o que se passa
naquela noite de outubro
quem passa sobre o seu teto
dentro daquele barulho
quem é lavado pra morte
naquela noite noturna





(não acabou)
Hasta.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Parte um




DENTRO DA NOITE VELOZ
Ferreira Gullar

Na quebrada do Yuro
eram 13,30 horas
(em São Paulo
era mais tarde; em Paris anoitecera;
na Ásia o sono era seda)
Na quebrada
do rio Yuro
a claridade da hora
mostrava seu fundo escuro:
as águas limpas batiam
sem passado e sem futuro.
Estalo de mato, pio
de ave, brisa
nas folhas
era silêncio o barulho
a paisagem
(que se move)
está imóvel, se move
dentro de si
(igual que uma máquina de lavar lavando
sob o céu boliviano, a paisagem
com suas polias e correntes de ar)
Na quebrada do Yuro
não era hora nenhuma
só pedras plantas e águas
Não era hora nenhuma
até que um tiro
explode em pássaros
e animais
até que passos
vozes na água rosto nas folhas
peito ofegando
a clorofila
penetra o sangue humano
e a história se move
a paisagem
como um trem
começa a andar
Na quebrada do Yuro eram 13,30 horas
Ernesto Che Guevara
teu fim está perto
não basta estar certo
pra vencer a batalha
Ernesto Che Guevara
entrega-te à prisão
não basta ter razão
pra não morrer de bala
Ernesto Che Guevara
não estejas iludido
a bala entra em teu corpo
como em qualquer bandido
Ernesto Che Guevara
por que lutas ainda?
a batalha está finda
antes que o dia acabe
Ernesto Che Guevara
é chegada a tua hora
e o povo ignora
se por ele lutavas


(não acabou)

Este POEMA está numa agenda de 1998 dedicada ao Che.

Nesta edição


O Professor Halem me passou a tarefa do meme.

Pegar o livro mais próximo, sem escolhas:
Fragmentos de Um Discurso Amoroso de Roland Barthes.

Abrir na página 161 e escrever a quinta frase completa:
Meu discurso monótono não tem “por quê”, a não ser um só, sempre o mesmo: mas por que você não me ama?

Comentar:
É um livro que fala do uso da sinceridade dos sentimentos, no discurso amoroso. Nele, não há uma sequência cronológica de acontecimentos, e sim, as frações de discurso que ele chamou de figuras, pode-se ler a figura que desejar. Um livro muito muitíssimo bonito.

Passar a tarefinha para outros cinco (em ordem alfabética e mais um, por minha conta(:
Adelaide Amorim, Janasce, Pirata, Professor Marcelo do Resumo, Roy Frenkiel, Sandra Camurça.

El sonido de Carlos Puebla y la canción,
Hasta Siempre Comandante Che Guevara.

Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa.

Hasta.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Descoberta

Na realidade, rádio e zine, pertecem a um passado.
A rádio, a Santê, foi fechada em outubro de 2000, a zine, Pirata Zine, antes impressa, hoje mantida virtualmente pelo Pirata, que contou de como ela surgiu no Diário de Bordo - Resistência, aqui
http://zinedopirata.blogspot.com/2007_04_01_archive.html .
Como escrevi, este texto vem sendo construído desde uns dias atrás, a primeira parte, Mudanças está no
www.recantodasformas.blogspot.com .
Então, desta vez, numa falta da máquina mais próxima, sentimentos com relação ao blogue geraram diferenciadas reflexões que me fizeram escrever das tais, e estas reflexões vieram com mais sustância, com dados mais substanciais para argumentações.
Tive a intenção de transcrever alguns trechos de dois textos, mas pra fechar essa minha lenga-lenga e dar continuidade à vida do (Re)Canto, serei breve.
O primeiro texto que cito é do camarada Professor Halem, Alienação e poesia de 16/08/07, http://racaodasletras.blogspot.com/2007_08_01_archive.html
.
O outro texto é de Roy Frenkiel, Não morri! (Ainda),
http://osintensos.blogspot.com/2007/09/no-morri-ainda.html .
E as primeiríssimas páginas de 10 Dias que abalaram o mundo de John Reed
, que fala da importância da história.
Todos eles me tiraram a sensação, que se fazia presente, da inutilidade relacionada ao blogue e de como me parecia inútil relatar o que andei fazendo nas minhas militâncias.
Dai, me dei conta do quanto esse sentimento era sinistro.
Após a decisão de colocar um som no (Re)Canto, um sentido tomou forma quanto ao que o caracterizaria.
O programa que fazia na Santê, Canção e Falação, tinha muita canção e, putz, muiiiita falação. A linha dele era uma mistureba, mas com critérios, musicalmente falando, e na falação, muita contestação, denúncias, falava das histórias que não nos contaram e das atualidades distorcidas e tendenciosas que estavam nos jornais e das que não estavam, e os temas, preferencialmente ligados às lutas cotidianas por justiça e igualdade, contra preconceitos raciais e contra toda a espécie de discriminação, e uma forte relação com os movimentos sociais e de esquerda. Entenda-se esquerda, não uma relação exclusiva partidária, mas sim, esquerda na postura, nas atitudes, sempre lembrando das incompletudes que nos fazem seres humanos, e que nos permitem alterar, por mais incompletos, e se assim quisermos, a realidade.
Concluindo, este blogue terá uma carinha do que eu fazia na Santê com uma inclusão de temas novos, como o da maternidade e todo o universo que a envolve.


Saravá.

O som que vai é o acústico de Cássia Eller, de 2001.
A música, Luz dos Olhos (Nando Reis).

E eu vou guiando
Eu te espero, vem
Siga aonde vão meus pés
Porque eu te sigo também
Eu te amo,
Eu te peço, vem
Diga que você me quer
Porque eu te quero também
.

=> Indico da amiga e conterrânea Janaína, Jajá, Jana, moça batalhadora, gente super boa, o www.janasce.blogspot.com .
=> O Camarada Professor Halem me deu uma tarefa, é o meme, ficará para a próxima postagem.

Saudações em todas as línguas.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Montando um quebra-cabeça

Um céu com buracos de chão
que o moço tentava tapar com peças
A casa, não sei, se era ou não
Assombrada
UHUHUHUHUHUH!!!!!
Não foi um fantasma
Foi um vento faceiro que veio