quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Parte um




DENTRO DA NOITE VELOZ
Ferreira Gullar

Na quebrada do Yuro
eram 13,30 horas
(em São Paulo
era mais tarde; em Paris anoitecera;
na Ásia o sono era seda)
Na quebrada
do rio Yuro
a claridade da hora
mostrava seu fundo escuro:
as águas limpas batiam
sem passado e sem futuro.
Estalo de mato, pio
de ave, brisa
nas folhas
era silêncio o barulho
a paisagem
(que se move)
está imóvel, se move
dentro de si
(igual que uma máquina de lavar lavando
sob o céu boliviano, a paisagem
com suas polias e correntes de ar)
Na quebrada do Yuro
não era hora nenhuma
só pedras plantas e águas
Não era hora nenhuma
até que um tiro
explode em pássaros
e animais
até que passos
vozes na água rosto nas folhas
peito ofegando
a clorofila
penetra o sangue humano
e a história se move
a paisagem
como um trem
começa a andar
Na quebrada do Yuro eram 13,30 horas
Ernesto Che Guevara
teu fim está perto
não basta estar certo
pra vencer a batalha
Ernesto Che Guevara
entrega-te à prisão
não basta ter razão
pra não morrer de bala
Ernesto Che Guevara
não estejas iludido
a bala entra em teu corpo
como em qualquer bandido
Ernesto Che Guevara
por que lutas ainda?
a batalha está finda
antes que o dia acabe
Ernesto Che Guevara
é chegada a tua hora
e o povo ignora
se por ele lutavas


(não acabou)

Este POEMA está numa agenda de 1998 dedicada ao Che.

Nesta edição


O Professor Halem me passou a tarefa do meme.

Pegar o livro mais próximo, sem escolhas:
Fragmentos de Um Discurso Amoroso de Roland Barthes.

Abrir na página 161 e escrever a quinta frase completa:
Meu discurso monótono não tem “por quê”, a não ser um só, sempre o mesmo: mas por que você não me ama?

Comentar:
É um livro que fala do uso da sinceridade dos sentimentos, no discurso amoroso. Nele, não há uma sequência cronológica de acontecimentos, e sim, as frações de discurso que ele chamou de figuras, pode-se ler a figura que desejar. Um livro muito muitíssimo bonito.

Passar a tarefinha para outros cinco (em ordem alfabética e mais um, por minha conta(:
Adelaide Amorim, Janasce, Pirata, Professor Marcelo do Resumo, Roy Frenkiel, Sandra Camurça.

El sonido de Carlos Puebla y la canción,
Hasta Siempre Comandante Che Guevara.

Vienes quemando la brisa
Con soles de primavera
Para plantar la bandera
Con la luz de tu sonrisa.

Hasta.

Um comentário:

sandra camurça disse...

Vais, linda,

esse poema do Gullar é lindo. Cumpri sua tarefinha, viu?
Gosto muito de Barthes. Li "Fragmentos..." há anos atrás quando estava muito apaixonada por um cara.Também li a "Aula" que ele proferiu no Collège de France, excelente.
E viva Che!!!

Um beijo carinhoso.