quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Ler e Escrever

A canjica logica
Sem acento
?Dónde está la lógica?
Pela Mãe Natureza!
A busco na lógica:
Está aberto o leilão

(e o papel do fulano é bater o martelo)!
Quem dá mais?
O desmatamento.
Quem dá mais?
Floresta em pé.
Quem dá mais?
Árvores mortas.
Quem dá mais?
Commodity, dou-lhe uma!
Soja, dou-lhe duas!
Especulação, dou-lhe quatro!
Mercado, leva tudo!
Amazônia, dou-lhe uma palavra: Vida.
Meio ambiente, dou-lhe uma palavra: Preservação.
Natureza, dou-lhe um pensamento: Prática.

Cada um tem suas manias, seus hábitos, fidelidades particulares, perfeccionismos e tal, com relação ao que produz, eu me valho de algumas destas cositas quando necessário e conveniente.
A significação que dou às datas, por exemplo, é para não se perder o contexto em que o dito escrito pulou pra fora, e às dedicatórias, outro exemplo, sinto uma homenagem, um lance íntimo que rola entre as partes, nem que seja unilateral, aquelas feitas aos do século passado e outras, umas bem engraçadas.
Comecei a escrever, poemas, poesias, sequências poéticas como chamei, ou simplesmente escritos, e às vezes era constrangedor, pois ficava numa falta de denominação pra eles, mas no geral e sem constrangimentos, decidi chamá-los poemas, poesias, pequenas histórias ou pequenos contos, ou escritos mesmo. E o início foi depois de ler e escrever todos os poemas de Apontamentos de História Sobrenatural, do Mário Quintana. Nunca tive, e ainda hoje, preocupação, se o que eu escrevo se encaixa em algum estilo literário, eu vou escrevendo, meu interesse são as palavras, seus sentidos, significados, as ações que as precedem ou antecedem e a montagem disso, idependente do tema.
Isto, de escrever, aconteceu em 1994, de lá pra cá juntei papéis, algumas agendas e cadernos, e não há muito tempo, resolvi separá-los. Deu algum trabalho, pois os papéis estavam misturados, muitos sem datas, outros com estas riscadas, impossíveis de identificar, então coloquei a atenção em outros detalhes, em pormenores, nas palavras usadas, no sentido, no momento (a lembrança), para separá-los. Estou ainda neste processo com alguns, que pairam sem saber a que período pertencem.
Feita a divisão por períodos, cada um recebeu um nome.

Então, de 1994 a 1998 chamei Desabrochar;
De 1998 a 2002, Conversão;
E de 2002 em diante, Pós Partus.


O sommmmm!!!!!!

Todo o disco, todas as canções,
todas as letras, todos os arranjos
do Pet Shop Mundo Cão de Zeca Baleiro.




Frases do encarte:



Era um artista de balas perdidas
Nunca acertou o seu público-alvo
*
O riso de malandro
Não disfarça o otário
Outrora poeta
Hoje publicitário
*
Jamais abolerar o acaso
*
Uma canção é só uma canção
Um uivo na noite deste mundo cão
A raiva e a calma no rádio da alma
Na palma da mão palavra silêncio
Ruído quimera quem dera eu fosse
O cantor infame dessa multidão
************
*******
**

6 comentários:

Halem Souza (Quelemém) disse...

Sou "fanzaço" de Zeca Baleiro! Gosto deste disco, mas prefiro Vô imbolá.

Vais, acho bacana como alguns blogueiros conseguem trazer para as suas postagens os seus "percursos criativos" (vamos dizer assim), como você vem fazendo.

Não é só o escrito, mas também de onde ele veio. Isso é importante.

Um abraço.

Jens disse...

Oi Vais. Isto aqui é uma "zona" literária. No mais anárquico dos sentidos.
Como dizem por aqui és uma guria danada de boa.
"A la puxa, tchê, não se assustemo, se a bala vem por cima nóis se abaixemo".
Um abraço e um beijo.
Arriba!

sandra camurça disse...

Tou passando rapidinho, volto mais tarde pra te ler, beleza?
Beeeeeijos.

sandra camurça disse...

Mulher,
Gosto muito do que tu escreve. Já falei isso antes. Essa espontaneidade, com ou sem coerência...Também gosto de datas e dedicatórias. E definir os escritos dentro de uma linguagem literária é coisa pra acadêmico, coisa que eu não sou. Acho que você também não, né? Não que eu despreze a Academia, mas pra quem escreve isso é o que menos importa, muito pelo contrário pode até limitar a criação, eu creio.Já percebeu que os grandes compositores não saíram das universidades, dos cursos de música? Nem os grandes poetas e escritores são formados em Letras? ;) Gostei muito da nomeação das fases tuas (desabrochar, conversão, pós partus). E achei genial a primeira frase do encarte do disco do Zeca Baleiro. Não tenho nenhum disco dele, acredita? Mas gosto de suas canções.

Beijo grande,
Menina das escritas.

ACANTHA disse...

Para quem lê, também não importam Academias. Importa, isso sim, que existam mais e mais "VAIS" para nos encantar...

Vais disse...

Olá Professor,
também sou fanzaça.
Os por quês e a história se confundem, fico pensando se o tempo inteiro ou em momentos, acredito mais que tudo tem uma história.
Halem, é sempre bom de ter você por aqui, tô acompanhando a 'saga' dos educadores.
abração.

Jens, simpático camarada, você está na zona dos escritos caóticos.
Alguma de suas sogras já lhe falou que você é um menino de ouro?
Beijo

Sandrinha e Acantha,
vocês são meninas brilhantes.
E, Sandrinha, não sou da academia.
O Zeca Baleiro é um remelexo só.
Beijão Moças