sábado, 13 de outubro de 2007

Parte três

VI
A noite é mais veloz nos trópicos
(com seus na vertigem das folhas na explosão
monturos) das águas sujas
surdas
nos pantanais
é mais veloz sob a pele da treva, na
conspirações de azuis
e vermelhos pulsando
como vaginas frutos bocas
vegetais
(confundidos nos sonhos)
ou
um ramo florido feito um relâmpago
parado sob uma cisterna d’água
no escuro
É mais funda
a noite do sono
do homem na sua carne
de coca
e de fome
e dentro do pote uma caneca
de lata velha de ervilha
de Armour Company

A noite é mais veloz nos trópicos
com seus monturos
e cassinos de jogo
ente as pernas das putas
o assalto
a mão armada
aberta em sangue a vida
É mais veloz
(e mais demorada)
nos cárceres
a noite latino-americana
entre interrogatórios
e torturas
(lá fora as violetas)
e mais violenta (a noite)
na cova da ditadura
Sob a pele da treva, os frutos
crescem
conspira o açúcar
(de boca para baixo) debaixo
das pedras, debaixo
da palavra escrita no muro

ABAIX

E inacabada
O´ Tlalhuicole
as vozes soterradas da platina
Das plumas onde ondularam já não resta
mais que lembrança
no vento
Mas é o dia ( com
seus monturos)
pulsando
dentro do chão
como um pulso
apesar da South American Gold and Platinum
é a língua do dia
no azinhavre
Golpeábamos en tanto los muros de adobe
y era nuestra herancia una red de agujeros

é a língua do homem
sob a noite
no leprosário de San Pablo
nas ruínas de Thiauanaco
nas galerias de chumbo e silicose
da Cerro de Pasco Corporation
Hemos comido grama salitrosa
piedras de abode largatijas ratones
tierra en polvo y gusanos
até o dia
( de dentro dos monturos) irrompa
com seu bastão de turquesa

(não acabou)

El sonido de la canción Fusil contra Fusil de Silvio Rodríguez.

El silencio del monte va

preparando un adiós.

la palabra que se dirá in memoriam

será la explosión.

=> A foto acima foi tirada pelo prórpio Che.

Hasta.