sexta-feira, 28 de novembro de 2008

O SOMMMM!!!!!!!!

A Volta do Boêmio (boemia) - Nelson Gonçalves
Composição: Adelino Moreira

Boemia, aqui me tens de regresso
E suplicante lhe peço a minha nova inscrição
Voltei, pra rever os amigos que um dia
Eu deixei a chorar de alegria
Me acompanha o meu violão
Boemia, sabendo que andei distante
Sei que esta gente falante vai agora ironizar
Ele voltou, o boêmio voltou novamente
Partiu daqui tão contente
Por que razão quer voltar ?
Acontece que a mulher que floriu meu caminho
De ternura, meiguice e carinho
Sendo a vida do meu coração
Compreendeu e abraçou-me dizendo a sorrir
Meu amor você pode partir
Não esqueça do teu violão
Vá rever os teus rios, teus montes, cascatas
Vá cantar em novas serenatas
E abraçar teus amigos leais
Vá embora, pois me resta o consolo e alegria
Em saber que depois da boemia
É de mim que você gosta mais....
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Né por nada não, mas esta música é minha música.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

das laranjas


- Moço, por favor, quero um quilo de laranja prati.
- Pra mim?
- Não, pra ti não, laranja prati pra mim.
- Não temos esta qualidade de laranja.
- Tem sim, moço. Não é a da terra, que dá um doce delicioso, não é a lima, nem a campista ou seleta, não é a baía, nem a pêra rio, que nem conhecia.
É aquela doce, docinha, chupada de chupinha , comida de pedacinhos, doce, docinha,... sabe qual?
- Ah! agora acho que sei, por que não disse antes, é a laranja serra d'água que você quer.
- Não moço, não é serra d'água, é prati, acho que não tem mesmo.
- Êpa! Vai começar de novo, pra ti, pra mim ..., tão aqui, prova.
- Chulup, chulup, é sim moço, é esta, chulup, doce, docinha, chulup, um quilo por favor.
Obrigada, até logo, chulup...
Que nome, chulup, serra d'água, inventam cada uma, chulup, chulup...
- Este povo, sei lá de onde, inventa cada nome, pra ti, pra mim...
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* E a Clarice, que parecia sumida, mas não estava tanto assim, pois desde outubro, a moça criou um novo cantinho, teceu um novo balaio, http://claricemaia.blogspot.com/, só indo lá pra ver e ler.
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Beijos

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

porca miséria!

Novembro do ano passado, com imensa satisfação, montei uma postagem, Um Espetáculo, mostrando, divulgando o trabalho da Clarice. Uma garota talentosa, de posicionamento, escreve, faz artes, torce, ama y mucho más, todas estas qualidades, temos acesso através de seus blogues, e cito os que mais me ligo, e como ela anda sumida destas paradas, naofosseisso e foraaecio.
Ê moça, que o assunto preferido do dito cujo governador são as eleições de 2010.
Êta porca miséria!

Através do trabalho da Clarice, e aqui novamente e de bom grado, trago as palavras dela da postagem Coleta seletiva em BH:
(quase) tudo que vocês sempre quiseram saber sobre a coleta seletiva em belo horizonte, mas nunca eu conseguia tempo pra finalmente terminar o site, que modéstia às favas está muito lindo, organizado e bem escrito:
http://www.pbh.gov.br/bhrecicla/

E quem comprovou, viu e leu informações sobre a coleta seletiva porta-a-porta e seu ampliamento a outras regiões de Belo Horizonte, o saite atentava para o fato da geração do lixo, do consumismo, do desperdício, e também orientações sobre como diminuir e preservar mais, tudo isto muito bem colocado no princípio dos Três R, que também dediquei nas postagens, seus títulos, que seguem.
É fácil!
uuuuugh!
lixarte, restarte
último R

Mas o troço fede, e não como, mas fede e muito.
Desde ano passado, venho pelejando com relação a este assunto, troquei mensagens com a SLU e com a Clarice, que não trabalha lá mais, e que contou de como foi sua saída em alguns textos, trouxe o texto, lanterna dos desavisados, pra termos noção do jeito que las cositas funcionam.

Em outubro, mês passado, por umas questões de coleta entrei em contato com a SLU pra ver o que poderia ser feito, eles disseram, nada, mas aproveitando perguntei por que o bhrecicla estava fora do ar, eles disseram que era o período eleitoral. Por este tempo o saite da prefeitura http://www.pbh.gov.br/ , também esteve fora do ar, mas desde que voltou, não consigo acessa-lo.
Tá, tudo bem, vá lá que nossa máquina seja do século atrasado e demoooooooora a carregar o quê for, mas toda esta postagem foi feita, e o saite pbh só no, 'aguarde... estamos carregando (isto é minha interpretação da demora, pois a tela fica em branco)'.
Porca miséria!
Mas não há de ser nada, tentarei em outra máquina.

E o que acontece é que, as eleições passaram, o governador+o vendido+o outro, terão o retorno dos gastos tão bem empregados nas campanhas, a prefeitura está em transição de ocupação dos cargos, e o bhrecicla não está mais fora do ar.

É isso aí:
Utilidade pública? O quêêêê? Estamos mexendo.
Preservação do meio ambiente? Heim? Tem décimo terceiro, é fechion.
Redução do consumo? Prendam, é atentado contra o sistema!

E a pendenga, quizila, querela, contenda continua...

Beijo prati Clarice

Beijos

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Caros Amigos – Especial nov/07

Pós-humano
O desconcertante mundo novo
Um ano após a publicação deste especial.
Transcrevo, abaixo, alguns trechos das respostas, da entrevista, coluna Tempo e Filosofia, feita por
Thiago Domenici a Olgária Matos.

É Preciso Reconquistar o Tempo

Olgária Matos, filósofa (...). Nesta entrevista(...) ela fala do ‘conceito de tempo e suas mutações no mundo contemporâneo’. (...). Uma visão instigante sobre os dias de hoje.

No mundo contemporâneo, a impressão que dá é que existe um ‘não tempo’, uma experiência do tempo que não passa, porque ele não se faz mais com experiências. Na verdade experiência supõe uma relação de conhecimento com valores e acontecimentos do passado que são transmitidos das formas mais diversas.

Além do que a modernidade, a partir dos séculos 17 e 18, começa a elogiar a paixão – a paixão é o excesso, e a nossa cultura valoriza o excesso.

Com o advento da luz elétrica, no século 19, o dia passou a ter 24 horas, o trabalho noturno entrou com uma voracidade de consumir todas as forças do homem, até o fim.

... mas o que era o tempo livre? Era um tempo totalmente autônomo com relação às necessidades materiais da sobrevivência, um tempo em que você se dedicava à contemplação, por mais indefinida que pra nós seja esta palavra contemplação.

Hoje não temos mais essa idéia de tempo livre, já é preenchido de coisas, então você tem um tempo inteiramente espacializado, não é mais qualitativo, ele não diz respeito a propriedades representativas de um acontecimento, de uma pessoa ou de um desejo. Essa idéia de que você não tem tempo é a forma mais perversa da alienação. Marx já dizia isso, a forma mais perversa não é a alienação do trabalhador com relação ao produto do seu trabalho e ao sentido do trabalho, é a alienação do tempo, você não ser senhor do seu tempo, você é determinado pelo tempo das coisas e não escolhe mais a sua vida.

Ora, o capitalismo produz a carência, ele não quer preencher uma necessidade, quer criar necessidades ao infinito.

E como a gente fala de futuro? Fala em mercados futuros, o futuro virou mais um valor de troca. Então quando se fala: ‘os jovens não têm expectativa de futuro’ – não têm um monte de coisa porque não têm expectativa de futuro e não sabem o que fazer com o tempo. Porque esse capitalismo produz uma cultura e uma educação cuja atividade cerebral é próxima a zero.

A ciência não pensa. Ela faz. O mundo contemporâneo não pode ter filosofia, porque a filosofia pensa o pensamento. A ciência deveria pensar a ciência.

Mas esse capitalismo é inimigo do pensamento autônomo, é inimigo da liberdade, é inimigo da vida feliz e da vida justa. E não é um capitalista, é o capitalismo!

Você não tem todo o tempo da educação, que é o tempo de aprender a lidar com o tédio. Agora, essa escola é o tédio, ela não ensina a lidar com o tédio. Porque o tempo não existe, você tem que passar rápido para outra coisa.

sábado, 8 de novembro de 2008

avoadora 1 ou avoadora 2

Geografia, eu detestava esta matéria. A professora, D. Elza.
As aulas começaram, era o início da minha 8a série do 1o grau.
A sala tinha gente nova, uma das meninas, Eunice, a Nicinha, uma morena muito bonita, com seus longos e cacheados cabelos negros e seu sutiã de oncinha.
Era mais uma que chegava para se juntar aos que sofriam as implicâncias de D. Elza, como não era nova na escola, é bem possível que a implicância já viesse junto.
Eu não era muito boa em Geografia, não entendia muita coisa, mas nos mapas, tirava total, colorir, fazer aqueles trianglinhos, quadradinhos, bolotas, era comigo mesmo.
Isto nos trabalhos, pois quando chegava dia de prova, malditos trianglinhos, quadradinhos, bolotas.
Não me lembro muito bem, mas a D. Elza devia fazer argüições e quando chegava em mim, talvez eu não respondesse nada e ficava olhando pra ela com cara de ser ou de ver algo muito estranho ou então respondesse algo que não tinha muito a ver com a pergunta. Talvez, também, com a Nicinha acontecesse mesma coisa ou outra.
Não sei muito bem como sucedeu, mas o fato é que a D. Elza nos colocou apelidos, na Nicinha e em mim, avoadora 1 e avoadora 2, não respectivamente, ou sim por causa da Nicinha ser mais velha, mas não tem a menor importância, pois éramos as avoadoras da sala.
Sou da turma do ‘quem não cola não sai da escola’.
Também, não lembro muito bem, se o meu avoadora veio antes ou depois daquela fatídica prova. Estudei, o que não adiantava muito, pois o troço não entrava, pra todo efeito, a cola garantiria, só que desta vez nada adiantou. Fiz a prova a lápis, escrevi algumas respostas, e o resto, nada, em branco.
Dias depois ao chegar em casa, depois da aula, lá estava minha mãe com a prova.
Zero, foi a minha nota, zero vírgula zero.
A mamãe falava sei lá o quê sobre o zero e me mostrava a prova.
Então eu virei pra ela e falei apontando para as respostas em vermelho, olha mãe eu respondi sim, mostrando uma delas.
Daí ela falou, Edelvais isto é a correção, você tirou zero. Foi meu primeiro zero.

Como a noção era aquela coisa variante, hoje olho estes mapas e vejo o continente americano, as Américas, central, do norte e do sul e fico pensando na presunção de como isto começou.
Americanos do sul, do norte e centrais, somos todos americanos, brasileiros, chilenos, venezuelanos, argentinos, porto-riquenhos, cubanos, panamenhos, mexicanos, canadenses e os estadunidenses.
E atualmente me recuso a chamar estes últimos de outra forma, quando não estiverem no todo.
É muito incomodante ouvir e ler pra, quase, tudo quanto é lado se referirem aos eua como sendo a América e ao seu povo como sendo exclusivos norte-americanos ou simplesmente americanos.
É muito incomodante ver o cara-pálida, se não for o maior, está entre os maiores violentos reaça e desequilibrado, que se tornará ex-presidente cocô de búfalo, dizer ser aquele país o maior do mundo, ou então ouvir numa tal rádio dita jornalística de um talzinho que presta um des serviço aos ouvintes, dizendo da democracia e da liberdade que o país representa, e tal e tal... perguntei, de que país ele tá falando?
Mais que nunca a população dos estados unidos não é senão, desde o primeiro momento, estadunidenses.

Abaixo o imperialismo!
Abaixo a dominação!
Pátrias livres, venceremos!

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Hélio Pellegrino, Plínio Marcos

Carta de Hélio Pellegrino

O homem quando jovem, é só, apesar de suas múltiplas experiências.
Ele pretende, nessa época, conformar a realidade com suas mãos, servindo dela, 
pois acredita que, ganhando o mundo, conseguirá ganhar-se a si próprio.
Acontece, entretanto, que nascemos para o encontro com o outro, e não o seu domínio.
Encontrá-lo é perdê-lo, é contemplá-lo na sua libérrima existência, é respeitá-lo e amá-lo na sua total e gratuita inutilidade.
O começo da sabedoria consiste em perceber que temos e teremos as mãos vazias, na medida em que tenhamos ganho ou pretendamos ganhar o mundo.
Neste momento, a solidão nos atravessa como um dardo.
É meio-dia em nossa vida e a face do outro nos contempla como um enigma.
Feliz daquele que, ao meio-dia, se percebe em plena treva, pobre e nu.
Este é o preço do encontro, do possível encontro com o outro.
A construção de tal possibilidade passa a ser, desde então, o trabalho do homem que merece o seu nome.

Plínio Marcos
Por mais que as cruentas e inglórias batalhas do cotidiano, tornem um homem duro ou cínico o suficiente para ele permanecer indiferente às desgraças ou alegrias coletivas,
sempre haverá no seu coração, por minúsculo que seja, um recanto suave, onde ele guarda ecos dos sons de algum momento de amor que viveu na sua vida.
Bendito seja quem souber dirigir-se a esse homem, que se deixou endurecer, de forma a atingi-lo no pequeno núcleo macio de sua sensibilidade e por aí despertá-lo, tirá-lo da apatia, essa grotesca forma de autodestruição a que, por desencanto ou medo se sujeita,
e inquietá-lo e comovê-lo para as lutas comuns de libertação.


domingo, 2 de novembro de 2008

meu catalisador primeira inspiração


Mário Quintana.

Apontamentos de história sobrenatural.

Olho as minhas mãos

Olho as minhas mãos: elas só não são estranhas
Porque são minhas.

Mas é tão esquisito distendê-las
Assim, lentamente, como essas anêmonas do
fundo do mar...
Fechá-las, de repente,
Os dedos como pétalas carnívoras!
Só apanho, porém, com elas, esse alimento
impalpável do tempo,
Que me sustenta, e mata, e que vai secretando
o pensamento
Como tecem as teias as aranhas.
A que mundo
Pertenço?
No mundo há pedras, baobás, panteras,
Águas cantarolantes, o vento ventando
E no alto as nuvens improvisando sem cessar.
Mas nada, disso tudo, diz: “existo”.
Porque apenas existem...
Enquanto isto,
O tempo engendra a morte, e a morte gera os deuses
E, cheios de esperança e medo,
Oficiamos rituais, inventamos
Palavras mágicas,
Fazemos
Poemas, pobres poemas
Que o vento
Mistura, confunde e dispersa no ar...
Nem na estrela do céu nem na estrela do mar
Foi este o fim da Criação!
Mas, então,
Quem urde eternamente a trama de tão velhos
sonhos?
Quem faz – em mim – esta interrogação?


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