quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Sobre o cão II

A Caverna de José Saramago.

Toby, da Nona.

Pág. 53

..., Suponho que ficará com o cão, que nome vai lhe pôr, perguntou Marta, É cedo para pensar nisso, Se ele ainda cá estiver amanhã, deveria ser esse nome a primeira palavra que ouvisse da sua boca, Não lhe chamarei Constante, foi o nome de um cão que não voltará à sua dona e que não a encontraria se voltasse, talvez a este chame Perdido, o nome assenta-lhe bem, Há outro que ainda lhe assentaria melhor, Qual, Achado, Achado não é nome de cão, Nem Perdido o seria, Sim, parece-me uma idéia, estava perdido e foi achado, esse será o nome, Até amanhã, pai, durma bem, Até amanhã, ...
... .Recolheu-se a seu quarto e deitou-se, ...
... . A meio da noite acordou, ...
... . Levantou-se, agarrou na lanterna de pilha...
... . Cipriano Algor acendeu a lanterna e apontou o foco para a casota. A luz não era suficientemente forte ...
..., duas cintilações lhe bastariam, dois olhos, e eles lá estavam.



Chico, do Marcelo Carota

Pág. 55, 56

Hoje, porém, ...
... . Não abriu a janela, somente um pouco ...
... . Ao espreitar para fora, o que Cipriano Algor queria, sem mais preâmbulos seus ou alheios, era saber se o cão ainda estava à espera de que lhe fossem dar outro nome, ou se, cansado da expectativa frustrada, tinha partido à procura de um amo mais diligente. Dele apenas se viam o focinho eu descansava sobre as patas dianteiras cruzadas e as orelhas caídas, mas não havia motivo para recear que o resto do corpo não continuasse dentro da guarita. É preto, disse Cipriano Algor.



Zé Bidu, da Isadora, Joaquim e Alba .


Zeca, o fiel escudeiro do Jens.

Pág. 57

... Cipriano Algor saindo para o terreiro. ...
... . O oleiro adiantou-se alguns passos e, numa voz clara, firme, porém sem a altear demasiado, pronunciou o nome escolhido, Achado. O cão já havia levantado a cabeça quando o viu, e agora, escutado finalmente o nome por que esperava, saiu da casota em corpo inteiro, nem cão grande nem cão pequeno, um animal novo, esbelto, de pêlo crespo, realmente cinzento, realmente a atirar para o preto, com a estreita mancha branca que lhe divide o peito e que parece uma gravata. Achado, repetiu o oleiro, avançando mais dois passos, Achado, vem aqui. ...

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Madona, do Lucas Beleza.
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Aqui vão outras postagens com outras passagens de A Caverna, de Saramago.

Sobre as mãos.
Sobre as mãos II.
Sobre o cão.
Sobre a criação.
Sobre o tempo.

3 comentários:

Jens disse...

Oi Feiticeira.
Eu e o Zeca gostamos muito.
Beijo, Adorável.

Vais disse...

Olá querido Jens,
eu também gostei, e o Zeca é tãããão fofinho, né?
Beijinho, Simpático, e ótima semana prati

Marcello disse...

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Vais, sabe que de cara eu fui com a cara desse cão Achado. Aliás, ele foi um belo ‘achado’ também para o autor. Saramago usou bem demais a sua realidade canina (do cão, claro) para confrontar o leitor com sua própria realidade (humana, cela va sans dire - hehe). E faz isso com aquele traço peculiar que a gente bem conhece e gosta deveras, não?

A propósito, gostei muito deste trecho também: “...um dono, bem vistas as coisas, é a modos como o sol e a lua, devemos ser pacientes quando desaparece, esperar que o tempo passe, se pouco se muito não o poderá dizer um cão, que não distingue durações entre a hora e a semana, entre o mês e o ano, para um animal destes não há mais que presença e ausência” (p. 179)

Grande livro!

Baita abraço,
Marcello
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