quarta-feira, 24 de março de 2010

Então

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Se não mexe não toca
Se não toca não sacode
Se não sonha não toca
Sonhou, sonhava
Acordou e sonhava
Dormia e sonhava
Porém um dia
Ossos viraram rochas
Peles musgos
Pêlos pequenas folhagens
Surgiu do fundo a nascente
E jorrou forte
Explodiu os buracos da face
E o jato frio da cachoeira desceu
Não desligou a tomada
Descarga elétrica
Deu curto
Despertou arrepiada
Não toque
Não mexa
Banho frio o sonho
Nhô só ficava
Atraiu tanto que repeliu
Pra longe, longe, longe...
Ainda assim
Sempre que é lembrado
Beijos são enviados
Não importa
Se longe se perto
Beijos são enviados
Pisando na área cimentada
Andando no asfalto
Beijos são enviados
E se lembra mais foram
Às noites os pedidos
À lua crescendo cheia minguando
E se não lua às estrelas
Beijos são enviados
Se perto, sente
Se longe, pensa
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(fev/10)
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terça-feira, 23 de março de 2010

alguns antigos(96/97)

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O mistério da vida
Um grande acúmulo de coisas
Um amontoado de negócios
E na estação,
uma predominância de vagões



Teclados perderam dentes
Tarados por disquetes



Depois de tudo
a pedra concretiza-se
vai-se formando
dura como pedra
O antigo formato:
disforme
E naquela ausência
de deserto utópico
Passeia o lapidador
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Alguns cantos
sem encontros específicos
no compasso do re
dividem-se em vários:
Das borboletas
Das cigarras
Do Cláudio
Do cachorro

Melodicamente
O cancioneiro
Entoava sons
Etéreos
Não marchem soldados
A ponte pode cair
Calado de repente
O repente
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sábado, 20 de março de 2010

Espalhos e Gerânios

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Quando o bicho pega
Quando nas confusões
Quando o trem esquenta
entre/com as fofas
Dou espalhos
Quando começo e vou indo na falação, a Elena vai até aos vasinhos de gerânios, colhe uma florezinha dos cachinhos e oferece a mim.

Há algum tempo, ganhamos mudas de gerânios, de flores vermelhas, brancas e vermelhas mais escuras.
Pega, brota e dá que é uma beleza, parecem até coelhas, hoje são muitos vasos.

Pensando num perfil por fazer, um Perfilores, veio a idéia de colocar na cabeça um vaso de gerânio em flor, para que uma das mãos à cabeça fizesse mais que, apenas, barrar o ar.

Pesquisei um pouco sobre os gerânios e descobri, dentre tantas outras utilidades proporcionadas pelo óleo extraído e das folhas, que eles são originários da África do Sul, que o nome científico é pelargonium hortorum e tem origem na palavra grega pelargos, que quer dizer cegonha, dada a semelhança do fruto com bico desta ave.
Que o gerânio acorda, desperta, coloca os sentimentos no aqui e agora, na realidade.
Que antigamente as pessoas plantavam gerânios ao redor da casa, com a intenção de afastarem maus espíritos e trazerem sorte aos bebês, atribuindo à planta poder de proteção.



*imagens: net

segunda-feira, 15 de março de 2010

imprensa golpista

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Trouxe parte do texto, o que vai abaixo, do Vermelho, a íntegra pode-se ler no Vermelho ou no Escrevinhador.


Jornalista denuncia plano midiático contra Lula, Dilma e o PT

Em texto reproduzido no blog Escrivinhador, o jornalista Mauro Carrara denuncia um suposto plano midiático intitulado "Tempestade no Cerrado" que, segundo ele, está sendo implementado pelos principais meios de comunicação do país contra o governo Lula, a pré-candidata Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores. Ao final do texto ele sugere "cinco tarefas" aos internautas para responder aos ataques da direita.


A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.

A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.

As conversas tensas nos "aquários" do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1) Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.

2) Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.

3) Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.

4) Elevar o tom de voz nos editoriais.

5) Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.

6) Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.

7) Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.

8) Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.



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O que fazer



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Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.

Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.

Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas...

1) Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.

2) Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.

3) Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.

4) Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.

5) Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA,Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.


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sexta-feira, 12 de março de 2010

Assim as fofas falaram

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As da Júnia
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Ata = água
Nenócio = negócio
Dolfinho = golfinho
Tubaão = tubarão
Peniono = pernilongo
Tocéia = tia Eucelli
Neninha = Deninha
Enana = Ernanda
Dôdas = Douglas
Eacho = elástico
Não tonto = não consigo
Tipaiado = atrapalhado
Babaião = bobalhão
Oterapia = fisioterapia
Dilisga = desliga
Mixixa = mexerica
Tilivisão = televisão

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As da Elena
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Ácu = água
Jáchu = Jackson
Vadinei = Valdisnei
Pocolé = picolé
Apudiram = acudiram
Chupinha = chupadinha
Pintas = tintas
Pica-pau malelus = pica-pau amarelo
Tiluçando = soluçando
Bélala = libélula
Babibatança = a minha pança
Pocotozinho = cobertozinho
Vidê di solvi = me dê de volta
Bausena = maisena
Pau do duendious = pauer rendiers
Contador = computador
Plicar = clicar
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terça-feira, 9 de março de 2010

um sambinha

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Júnia Liz
cadê o seu nariz
eu fui achar
lá em Paris
num chafariz
e por um triz
eu fui feliz
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Elena Liz
cadê o seu nariz
eu fui achar
lá onde eu fiz
uma matriz
e o que eu quis
foi ser feliz
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(2004/2006)
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segunda-feira, 8 de março de 2010

tanto mar

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ariadne

líria porto

teu verso é potro indomado
a galopar pela pradaria

vez por outra para
bebe água
alimenta-se
depois segue o vento
alcança o horizonte

meu verso é grilo
saltita do chão à parede
aos vasos de folhagem
não ultrapassa o compasso
o círculo o circo
a teia de aranha

teu verso é cabo de aço

o meu
fio de linha

*


pá lavra e enxada

líria porto

mato e morro
morro e mato
e não é suicídio
nem assassinato

é mato verde
é morro alto
é viver a vida
longe do asfalto

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segunda-feira, 1 de março de 2010

sei lá, 97, 98

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Aconteceu em certo ano
Mudaram-se as atitudes
As escritas não reproduzem fielmente
- Como achar expressões que transmitam
exatamente o sentido do fragmento?
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Não tocaria em você hoje
se não fosse a vontade
do silêncio quebrado
pelas asas do que beija a flor
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