sábado, 7 de julho de 2012

Salve, Salve, Assis!


Moço poeta dos mileumpoemas,  e ele conseguiu nestes mil e um amanheceres nos oferecer sua graça poética.

Aqui vão o primeiro:


terça-feira, 13 de outubro de 2009

1 - A imagem

no quadro
quadro a quadro
os teus seios
sempre pintavam
em cores reais

enquanto
rabiscavas
o céu de ficção



O, não totalmente do meio, de lá beirando a metade:

domingo, 20 de fevereiro de 2011

500 - Canção de infortúnio para olheiras e guelras

outrora foi o pranto que vazou a garganta
penetrou nas chagas da pele, fez moradia
eternizou-se em montanhas de silencios

essas estranhas correntezas corróem-me
são silvos no meio de tormenta e estrada
cantam comigo o desvario de tantas vozes

outrora foi uma palavra de gesto destituído
compilada na enciclopédia das galáxias
a irromper–se em predicados de gula febril

senhoria de tantos mistérios a quem invoco
em triste cantilena sobre preces e pretéritos
nesta tarde em que se ruflam todos os poentes

Poema para a postagem 500

CANTILENA

às vezes eu penso, ou então não penso.
às vezes cresço por dentro e então digo:
de quem é esta terra mais pequena, aquele
espaço no cabelo mais pequeno tão quando
a tua mão tão na minha? apertá-la é um lugar
muito perto. e digo ainda: quem é a locomotiva
de silêncio? lá fora é dia e a noite é um moinho.
sim, a planta entende as tuas pernas porque canta
nelas. a mão bate na cara, a canção hoje canta!
se alguém me perguntar eu digo que a beleza
é uma garganta toda azul a escorregar no céu.
e falo numa máquina feia de segredar ao ouvido.
quero comer o mar
quero um silêncio assim durante quinhentos poemas

Rui Costa

E o 1001:

quinta-feira, 5 de julho de 2012

1001 - Balada de tardio encanto


Vivo a permuta dos sonhos:
Sou de junco, barro, poeira.
Entrelaço coisas e destinos
Insinuo rota, sinal, aforismo

Improviso sismos e abismos
Sou inoportuno ao despertar
Espirro reticências e pausas
Camuflo casulos e aplausos

Tenho gosto para relevância
De carpir o leito das palavras
Dar sobrevida a um fino gesto
De montar susto no improviso

Aplaco distancias com o olhar
Alterno preces, coitos, abraços
Revelo as dores na minha pele
Irmano migalhas aos pedaços

Transito entre o que me chega
Ao que desafia sina e sortilégio
Mas nada posso contra o verbo
Vago vazio sem nenhum rastro



PARABÉNS, ASSIS !

Então, teremos com ele na(o) arvoredapoesia a colher flores, frutos e sombras em versos, e vez em quando um pouso nos galhos. 

3 comentários:

Assis Freitas disse...

que coisa boa, obrigado, obrigado




beijo

LauraAlberto disse...

boa, boa escolha...
é bem merecido...

beijinho aos dois

Jorge Pimenta disse...

e eu que os guardei em mil e uma secretárias aqui bem dentro do peito. porque há palavras que vão para além da forma; fazem-se da cal com que preenchemos os buracos que se nos abrem no coração.

beijinho, vais!