quinta-feira, 7 de abril de 2011

Guerra

Augusto dos Anjos

Guerra é esforço, é inquietude, é ânsia, é transporte...
É a dramatização sangrenta e dura
Da avidez com que o Espírito procura
Ser perfeito, ser máximo, ser forte!

É a Subconsciência que se transfigura
Em volição conflagradora... É a coorte
Das raças todas, que se entrega à morte
Para a felicidade da Criatura!

É a obsessão de ver sangue, é o instinto horrendo
De subir, na ordem cósmica, descendo
À irracionalidade primitiva...

É a Natureza que, no seu arcano,
Precisa de encharcar-se em sangue humano
Para mostrar aos homens que está viva!

7 comentários:

Loba disse...

guerra é tudo isso. e tudo isso tb pode descrever um ato isolado, insano, sangrento. não adianta dizermos que moramos num país abençoado por deus se não soubermos (nós, familia, governo, escola) cuidar da nossa natureza e de seus filhos (crianças de hoje, jovens de amanhã)
(ainda estou sob o impacto do terror em realengo, percebe?)

Assis Freitas disse...

um dos primeiros poetas que li, as imagens dos versos de Augusto dos Anjos até hoje me cristalizam


beijo

Vais disse...

Uma tragédia, Loba, esta do Rio, um horror, aí fico pensando naquele país do norte, onde é comum coisas deste tipo, e é um país aclamado, copiado por muitos brasileiros como exemplo e referência de liberdade e de democracia, menina, que horror, que terrível, é triste ao ponto de causar uma depressão profunda.
beijinho, querida

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Assis, é sempre um prazer sua presença por aqui.

Tive um contato maior com a poesia de Augusto dos Anjos, quando na Rádio Santê, uns meninos góticos faziam um programa Brumas de Outono e eles recitavam bastante poesias dele.

beijo

Jorge Pimenta disse...

"É a Natureza que, no seu arcano,
Precisa de encharcar-se em sangue humano
Para mostrar aos homens que está viva!"
eis a sede que se sacia com a própria sede, iniciando uma espiral que cumlina à porta dos cravos que pendem das g3 depostas... já sem atiradores.
oportuno o soneto, nestes tempos de (des)humanidade tão conturbada.
beijinho, amiga!

Cris de Souza disse...

augusto dos anjos sempre me espantou, nunca me esqueço do primeiro poema que li dele(a idéia), foi como a descoberta do fogo.

beijo, minha querida!

Cris de Souza disse...

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica ...

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.

(A idéia/Augusto dos Anjos)

Vais disse...

Sabe, Jorge,
fico sentindo que hoje, muito mais que no passado, as Escolas tem um papel fundamental na promoção de mudanças nas relações dentro das famílias que é de onde estas crianças estes jovens saem.
Tempos sombrios que se devem ao egoísmo, ao desejo de poder, ao ter a todo custo numa competitividade desenfreada e por aí vai...

beijinho prati também

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Êta, Cris,
moça, que olhos! é de ficar só olhando, lindos

Augusto dos Anjos é de espantar mesmo

A idéia,

"De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas"

Grata, querida Cris, pela presença acompanhada
abração e beijos