sexta-feira, 27 de agosto de 2010

desenhos copiados

tirado de um 'A Divina Comédia - Dante' ilustrado

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copiado de um cartão (inacabado)
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tirado de um cartaz
a página, eu preenchi
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copiado de uma revista (inacabado)

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Em uma agenda de 2004, a página marcava 15 de janeiro.

Canhota


Hoje é dia 21 de janeiro. Preciso chegar até lá com esta letra, talvez consiga.
O mistério da tentativa causa entraves, e rompê-los pode mudar as relações. Poderia inspirar-me na Rosa para dedicar esta página, posso falar da rosa que nasce no jardim, ela é tão vermelha quanto o sangue do rouxinol – ele amou. Falo da rosa cor-de-rosa que tem rosa de nome. A rosa é uma flor, menina-flor, falarei de ti.
Não quero antecipar possíveis...
Perdi-me um pouco naquela menina.
Hoje deu notícias sobre uma exposição das obras do Picasso.
Então, para não ficar enrolando, vou direto ao assunto e pergunto, quem de vós receais as mudanças?
Tenho o João Pedro para ser meu par.
Tenho pressa em coincidir os dias.
Hoje são 22 de janeiro.
Estas serão as primeiras páginas. Queria dizer que as flores são belas. Nascem em cada lugar! Escrevo que digo estar, mesmo estando de boca fechada. A pressa, dizem umas e outros, é inimiga da perfeição(*), concordo com isso. Sei. Não conseguir chegar até ela, é coisa de humanos. Caras são as artes. Momentos iluminados em que faltamos muito pouco para alcançar o perfeito.
Ajo como uma guilhotina em certos pensamentos. O pensar é próprio dos humanos, é a diferença dos outros animais, gosto muito de pensar no jeito de viver dos outros animais, seus comportamentos, eles tem sua comunicação. O que sabem dos arredores? Sabe-se lá o quê? E nós sabemos que eles existem, cruzam para procriação, se bem que, alguns poucos acasalam toda vez que sentem um certo sei lá o quê.
Poderia definir perfeição depois de olhar a palavra no dicionário, fazer isso dá uma outra noção de significado.
Hoje é dia 24 de janeiro, tenho um propósito para amanhã. Tenho uma dívida com alguém sobre uma coisa que me foi concedida, e o tempo vai sendo protelado, só que tenho um propósito para amanhã...
Na ‘verdade’, a ilusão de tudo é o futuro. Escrevo no passado, do passado. Aconteceu da flor ir desabrochando, a cada anoitecer a flor-da-noite negra manchada de branco.
Vinte e três, não tive tempo.
Pensei em falar sobre o tempo, mas pensei também ser muito complicado, escrever sobre o dito cujo. A vida é livre. Nem gostei muito desta afirmação, não a desmancharei. Passou pela minha idéia a liberdade do ser livre. Posso me dar ao luxo de exercitar mais um pouco sobre o mistério. A vida é presa à liberdade. Já tinha conhecimento dessas palavras e as uni assim: o ser só é livre na presença do outro. Alguém interessante disse isto.
Há momentos em que a cabeça pesa: são os pensamentos da realidade dura que fazem morada ali.
Dia 25 de janeiro. Estas páginas, lá atrás, tiveram seu destino determinado, determinei-as de serem o início de algo que tinha em mente. Já não é mais assim, mudei de idéia, elas não serão mais isso, e sem especulações. Andei lendo o princípio e não gostei de algumas coisas, notei alguns erros. Revisarei até aqui(**), daqui em diante...
Volto nestas páginas por mais uma vez. Elas terão o destino que melhor aprouver, quando chegar o momento de apresentá-las, por falar nisto:
_ Olá, meu nome é página, estas outras também tem o mesmo nome, mas não somos iguais, semelhantes apenas no contorno. Por tantas diferenças e apenas estes pontos em comum, é que precisávamos nos entender, tínhamos necessidade da harmonia, podemos nos dispor de várias maneiras, mas sempre seguindo uma seqüência. Estamos presas a ela, isso muda quando temos o prazer de sermos arrancadas.
Estamos no verão e o tempo parece pertencer a outra estação. Tenho até a primeira meia noite. Preciso acreditar que seja um ultimato. Alguém entendeu alguma coisa? Sobre o que pensar a respeito de frases ininteligíveis? Entendi, mas não compreendi nada do que li. No pensamento as palavras vem com tanta rapidez para explicar algo?
Gosto de usar a palavra coisa, ela explica tudo e não diz nada. Vou nomear as coisas. O que será que aconteceria se brotasse um tempo há muito passado onde não, nem lembrança do que fazia com as mãos para passar a ansiedade? Darei um nome ao conjunto destas páginas: páginas da emoção. Sei que estão empobrecidas, é tudo que compreendo, ou seja, muito pouco.
A terra é tão vasta! Ela transborda conhecimentos. E de quantas vidas precisaria até saber um pouco do que passa sobre sua face ou nas suas entranhas?
Hoje são 29 de janeiro. E de repente achei isso tudo tão sem sentido! Que propósito teria? O de simplesmente exercitar minha mão esquerda? Então que seja só isto, desta forma tentarei chegar até lá. Neste momento minha filha dorme o sono da inocência. Ela fica tão tão quando está aconchegada aos braços de Morfeu!
Gostaria mesmo de desprender-me de, literalmente, tudo, e não ter tanto medo do poder das palavras. Meu íntimo pode ser tão obscuro e sinistro às vezes, que dá arrepios só de pensar. Invocar o que há de bom para aguentar toda essa coisa que surge assim, sem querer, sem porque, sem permissão. E como poderia permitir que mais pessoas tivessem acesso?
O universo conspira, as energias se interagem.
Gostaria de escrever mais sobre o que é o poder da vida, da criação, o desenvolvimento e crescimento de um ser tão complexo.
Hoje é dia 31 de janeiro. Vivo tão intensamente os dias! As horas que poderia dedicar-me a escrever sobre, fico meio sem palavras, fico sem jeito de tirá-las do pensamento. Gostaria de falar de justiça; subjetividades a que nomeamos.
São palavras bonitas, aquelas que brotam do sentimento gerado pelo estímulo sensorial.
A Júnia Liz, estivemos na Dra. Cátia.
Já estamos em fevereiro, dia 02, segunda feira, e os dias se confundirão. Aquele coelho do livro da Alice no país..., é tarde, muito tarde.
Hoje são 09 de fevereiro e fui ao médico, Dr. Antônio. Fui sozinha. Fui andando apressada, de ônibus, meu meio usual, e fui com a sensação de que uma coisa só eu sabia, eu tinha um segredo. Um lindo segredo. Nada em minha aparência poderia denunciá-lo, nem um adereço ou a falta dele o poderia dizer. Olhava homens, mulheres, jovens, e pensava: eles não sabem sobre ela. Observava seus semblantes, seus cabelos, suas vestimentas, suas belezas. Quem são estas pessoas? O que as leva tão apressadas pelas calçadas, ruas, nos carros? Não é o tempo, o tempo lhes falta, não o tem, não o tem.
Estou transitando, saindo de uma sexta 13 e indo para o dia 14 de fevereiro e 12 foi aniversário do Ogeno.
Comprei algumas caixas para pintar.
Hoje é meu aniversário, 17 de fevereiro de 2004. Não escreveria se meus atuais anos ficassem resumidos ao marido-companheiro-amante-pai e à filha que temos.
É claro

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Na página, 30 de janeiro.

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(*) Hoje tenho comigo que a pressa não é muito amiga dos detalhes.
(**) À época, não revisei, e ao fazer a transferência, a revisão feita foi com relação à pontuação e uma ou outra palavra escrita errada, o que pude identificar.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

sábado, 21 de agosto de 2010

alguns desenhos












Clicando no desenho ele aumenta.


quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Conjunto Unitário

edelvais e flores nos cantos: fofas Liz

domingo, 15 de agosto de 2010

Este texto, da Virgínia Fontes, que coloquei nas duas postagens anteriores e nesta, é um texto comprido que tenho já um tempo, e mostro mais estes parágrafos.


Liberalismo, marxismo e hegemonia – alguns pontos para pensar – Virgínia Fontes

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Virgínia Fontes
.............O que tem a ver este pensamento liberal com a comunicação? Muito. O pensamento liberal forneceu a base para uma das mais poderosas “naturalizações” do mundo, que continua vigente até hoje. Ele foi um forte impulsionador para que o pensamento se desvencilhasse dos laços tradicionais, da obediência cega a um superior nobiliárquico e aos princípios religiosos. O mercado passou a ser apresentado como “neutro”, rápido, competitivo e eficaz. Passou a ser concebido como inescapável, incontornável, assim como o tipo de progresso a ele associado. Nada poderia resistir: nem as tradições, nem as religiões, nem as culturas, nem as distâncias. A natureza do homem passou a ser considerada como mercantil, o mercado tornou-se uma segunda pele. Os homens, liberados dos deuses, se tornaram frágeis e isolados. Sonhavam, cada vez mais alto e forte, mas eram cada vez mais fracos e isolados... Os grupos dominantes produziam as idéias dominantes. ..........E, se por acaso, os dominados tentassem resistir, o Estado-mercado apresentaria sua outra face, coercitiva e militar. Caso as idéias não fossem suficientes, a força imporia a “liberdade” do mercado. (...) .............Com isso, Marx pôde evidenciar exatamente a contradição do liberalismo. Não apenas dizer que é falso, o que seria meia verdade, mas achar a meia verdade que nele está embutida, seus limites internos. A sociedade capitalista de fato liberou os homens. Mas esse processo foi também sua expropriação. Liberou/expropriou a todos de sua capacidade de produzirem sozinhos sua subsistência. Libertou, portanto, os homens dos laços tradicionais que os ligavam aos senhores da terra, ao retirar a terra, dos trabalhadores. Expropriou os trabalhadores dos meios que dispunham para assegurar sua subsistência e, assim, tornou-os todos livres, para vender sua força de trabalho. A expropriação é originária e constitutiva do capitalismo e se repete incansavelmente há quase 5 séculos. Hoje, sob nossos olhos, se mostra mais um de seus desdobramentos, pela “expropriação de direitos” sociais conquistados, direitos que reduziam a dependência dos trabalhadores frente a seus empregadores. (...) ...........Assim, para Marx, mudar as idéias com as quais os homens pensam seu mundo exige pensar o mundo no qual nascem e se consolidam as idéias. Essa íntima, estreita e vigorosa relação entre a análise da realidade, rigor conceitual e identificação/formulação das idéias possíveis e necessárias passou a ser a condição para pensar qualquer ciência social, assim como para pensar qualquer projeto social. Essa operação tem um resultado extraordinário: permitia desnaturalizar a vida social, que deixava de ser obrigatória, imutável e cega, e passava a poder apoderar-se da realidade para transformá-la.


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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Mais alguns parágrafos do texto:
Liberalismo, marxismo e hegemonia – alguns pontos para pensar – Virgínia Fontes


..........O que significa o pensamento liberal e qual o seu papel hoje, principalmente na comunicação? em seu nascedouro, o liberalismo era combativo. Lutava contra privilégios de nascimento, contra a existência de uma hierarquia social que segregava os que faziam fortuna, mas não provinham de famílias nobres. Calcava sua argumentação no fato de que todos aqueles que conseguiam provar sua capacidade social através da fortuna expressariam o resultado de seu trabalho e, portanto, seriam mais meritórios do que aqueles que apenas haviam nascido ricos mas nada faziam para aumentar suas fortunas (caso dos nobres) ou do daqueles que, pobres, evidenciavam pela miséria sua própria incompetência. ..........Desde seus primórdios, o pensamento liberal está imerso em elementos contraditórios, embora muito interessantes. De um lado, considerava todos os homens iguais por natureza. Historicamente, lutava contra uma sociedade que supunha serem uns “escolhidos de Deus” (nobreza de sangue por desígnio divino) enquanto os demais eram relegados a uma situação permanente de segundo plano. De outro lado, justificava a desigualdade entre os homens, também invocando para tanto a natureza. Assim, considerava – e lutou por isso – que a riqueza fosse a unidade de medida que distinguisse tais homens iguais. (...) ..........O objetivo central do Estado para o pensamento liberal é o de contribuir para o aumento da riqueza e, portanto, não deveria estar ligado a distribuição de privilégios, devendo voltar-se resolutamente para acelerar as formas de produzir mais riqueza. Em palavras mais claras: o Estado não mais deveria responder a um Deus, mas a um mercado. O novo deus era composto apenas de cálculos e coisas, acumuláveis, empilháveis, deus do progresso num mundo pensado como uma imensa fábrica, vomitando produtos e identificando, pela acumulação, os mais capazes e competitivos. O Estado, esta entidade perigosa, era fundamental, pois deveria garantir a subordinação de todos ao progresso e, principalmente, ao processo de trabalho. Ao Estado cumpria pois interferir sempre que a produção – privada – se encontrasse ameaçada, inclusive pela rebeldia e exigências dos trabalhadores.


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desenho: eu



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Antes de navegar Deixei marcado, Nos grãos miúdos E muito muito pertinho uns dos outros, que as ondas puxarão levarão puxarão levarão... Eu li ces Aguardei Aguardo Aguardarei Em movimentos Espero Esperarei Até o quanto Até o quando Das paralelas Se encontrarem

(edel/ago/10)
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Desenho: eu

sábado, 7 de agosto de 2010

(De novo)
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A louca que só ria

Como ela dava gargalhadas!
Risos da loucura do açoite...
Gargalhadas que aterrorizavam
Como só risos encantadores
Ao som das harpas
quebravam taças
de puro cristal.
Nas vitrines
das cristaleiras.
Nas prateleiras
dos guarda-louças.
Finíssimos delicados
Com um piparote
trincavam...
Ao som do agudo
Que tinha em si
A vibração
das sonoras
dos ensandecidos.
E, quando, por bom motivo
Molhava as calçolas
e rasgava os cantos dos lábios.
AH! AHAH! AHAHA! AAAAAAAAAAAAA!!(edelvais nov/2007)

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(Outra vez)
Desabafo
Quero falar do meu cansaço.
– Por que se é ainda nova?
Não aguento mais.
– Você ainda nem começou!
Sim, eu sei, e sei que não quero o difícil e o complicado do real, procuro o mistério.
O MISTÉRIO VIAJANTE DA VIDA!
Ele não está somente na morte, mas na própria existência.
Por que obrigo as ondas vibrarem agressivas e maldosas?
Cansei de medir palavras sobre coisas que nem conheço direito!
Quero berrar:
Porcaria de governos que são financiados pelo poder da força armada e monetária!
Porcaria de governos que não tem no povo sua maior força!
À merda com a dominação do governo estadunidense!
Morte aos dogmas das doutrinas religiosas ou quaisquer outros!
Vomito o imperialismo na cara de todos vocês com endereço certo, e sujo meu vestido copiado da moda londrina.
Choro pelos homens e pelas mulheres deformados em sua infância e que de alguma forma conseguiram e tentam romper com a sequência, mas não choro pelos racionais que se tornaram deformadores de muitas.
Sejam conformados, pequem bastante.
A morte virá de qualquer jeito, basta arrependerem-se no último suspiro e serão salvos.
Por que falaria de coisas boas, como paz, solidariedade, sonhos, amizade, comunitário e sociabilidade?
Isso é coisa do passado, mas dá ibope, há quem goste!
Então podemos usá-las à vontade.
Sim, nós podemos.
E eu posso, sou hipócrita, sou humana.
- Pobre e podre mulher!
Quer ser odiada, mas prefere amar até o dilaceramento!
Eu sou assassina e neste caso talvez não sejamos cúmplices, e são muitos os assassinos e assassinas soltos que nem eu.
A tecnologia foi criada ou descoberta, não importa, ela é usada para destruir e matar.
Culpada, é como me sinto, inferior, não quero comparar-me com outros animais, pois eles nunca se sentirão assim fragilizados diante da condição efêmera da existência, finita para uns, infinita para outros.
Havendo ou não pactos pré-existenciais, passamos uma quantidade de tempo neste lugar com nomes, seres e coisas que se tornam perigosamente controlados por nós, seres humanos.
São nossas regras, nossas leis, nossas racionalidades, nossas vidas ilusórias, nossas doideiras coletivas, mas ainda assim, mesmo sem ver, sabemos que todo dia nascem flores.
Gostaria de não querer me meter mais nas confusões humanas.
“Mas não posso me cansar porque não tenho esse direito!” (frase de um RAP do grupo Face da Morte).

(escrito em 1999 que sofreu uma edição 19-04-13)



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Todas as fitas que tenho gravadas com Janis Joplin, tem esta música, Ball and Chain, nas suas mais variadas interpretações, em estúdio e ao vivo.


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Alimento

Encontrei o fermento, o fertilizante
De acordar o broto adormecido
Mantenho viva em mim
A chama, a brasa
Que me leva
Que me conduz
E depois da descoberta
do jeito de assoprar
Não há volta
Não há desvios
Que me corrompam
Que me seduzam
Que me comprem
Pois existem
As praças, os parques,
os bancos (tábuas com quatro pernas)
As marquises, as encostas
Existe o nada
Que se leva
Existe o todo
Que vai expandindo
(05/08/10)
desenho copiado de uma revista
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Das Virgínias
(Frases de Virginia Woolf)
"Em algum lugar, em todos os lugares, ora escondido, ora aparente no que quer que esteja escrito, está a forma de um ser humano. Se tentarmos conhecê-lo, estaremos preguiçosamente ocupados?"

"Meu próprio cérebro é para mim a mais inexplicável das máquinas - sempre zunindo, sussurrando, voando rugindo mergulhando, e depois se enterrando na lama. E por quê? Para que esta paixão?"

"Luta mental significa pensar contra a corrente, não com a corrente. É nosso trabalho perfurar as bolsas de gás e descobrir as sementes da verdade."

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( Os três últimos parágrafos do texto, Liberalismo, marxismo e hegemonia – alguns pontos para pensar – Virgínia Fontes)

...........Com todo o poder de toda a mídia do mundo, não é capaz de integrar e de incorporar as populações, pois o que produz como sonho é o indivíduo liberal, puro consumidor. No entanto, o que produz como prática são pessoas desgarradas, a cada dia expropriadas de seu saber, de suas condições de existência, submetidas aos ditames de um mercado sem limites.
...........É no interior dessas contradições que somos chamados a lutar, a produzir uma contra-hegemonia. Não para sugerir uma incorporação fictícia, mas para construir praticamente, a partir da massa de trabalhadores, possibilidades de futuro. Para tanto, não nos basta produzir conhecimento. Precisamos também não nos acapararmos dele, e sim socializá-lo. É não se rendermos à imagem fácil de um popular desprovido de cérebro, como alguns gostariam que fosse, mas retomar o desafio de explicar o mundo real e descobri-lo como histórico, contraditório e mutável. Nele, podemos interferir e agir, transformando a vida, de fato. É não só explicar, mas viver com esse popular, participar de sua organização enquanto pensadores-aprendizes, persuasores permanentes, localizar nele e com ele a raiz de onde se pode ser radical de verdade. É nessa rede de associações populares - que já existe, mas está fragilizada pelo predomínio maciço do neoliberalismo e de um associativismo movido a mercado - que se pode encontrar e produzir um “jornal-partido” de outra forma, como expressão dessa vontade coletiva. Não é necessário que seja um único jornal, mas precisamos construir conhecimento para fazer face ao imenso desconhecimento que nos impingem como o possível...
............Exigência múltipla, a nossa: rigor conceitual, rigor na produção do nosso conhecimento e na escolha dos temas, mas paixão pelo que fazemos e pelo futuro que, quem sabe, podemos ajudar a construir. É preciso não deslocar o saber da paixão, como diz Gramsci. É preciso evitar a mentalidade de burocrata da notícia ou do conhecimento, preservando-se o tesão da pesquisa da verdade; é nunca aceitar ser apenas o portador de uma paixão fria e requentada, retórica e dogmática. Conhecimento e paixão podem – e devem – andar juntos.
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=> desenhos feitos por mim

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Clarice Lispector

Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres

Págs. 82, 83, 84 - 18ª edição

(...)
Ulisses falou:
_ Bem tranquila, Lóri, vá bem tranquila. Mas cuidado. É melhor não falar, não me dizer. Há um grande silêncio dentro de mim. E esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras. E do silêncio tem vindo o que é mais precioso que tudo: o próprio silêncio. Por que é que você olha tão demoradamente cada pessoa?
Ela corou:
_ Não sabia que você estava me observando. Não é por nada que olho: é que eu gosto de ver as pessoas sendo.
Então estranhou-se a si própria e isso parecia levá-la a uma vertigem. É que ela própria, por estranhar-se, estava sendo. Mesmo arriscando que Ulisses não percebesse, disse-lhe bem baixo:
_ Estou sendo...
_ Como? Perguntou ele àquele sussurro de voz de Lóri.
_ Nada, não importa.
_ Importa sim. Quer fazer o favor de repetir?
Ela se tornou mais humilde, porque já perdera o estranho e encantado momento em que estivera sendo:
_ Eu disse para você _ Ulisses, estou sendo.
Ele examinou-a e por um momento estranhou-a, aquele rosto familiar de mulher. Ele se estranhou, e entendeu Lóri: ele estava sendo.
_ Eu também, disse baixo Ulisses.
Ambos sabiam que esse era um grande passo dado na aprendizagem. E não havia perigo de gastar este sentimento com medo de perdê-lo, porque ser era infinito, de um infinito de ondas do mar. Eu estou sendo, dizia a árvore do jardim. Eu estou sendo, disse o garçom que se aproximou. Eu estou sendo, disse a água verde na piscina. Eu estou sendo, disse o mar azul do Mediterrâneo. Eu estou sendo, disse o nosso mar verde e traiçoeiro. Eu estou sendo, disse a aranha e imobilizou a presa com o seu veneno. Eu estou sendo, disse uma criança que escorregara nos ladrilhos do chão e gritara assustada: mamãe! Eu estou sendo, disse a mãe que tinha um filho que escorregava nos ladrilhos que circundavam a piscina. Mas a luz se aquietava para a noite e eles estranharam, a luz crepuscular. Lóri estava fascinada pelo encontro de si mesma, ela se fascinava e quase se hipnotizava.
(...)
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domingo, 1 de agosto de 2010

Desenho que fiz copiado de uma revista
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Desejo à flor da pele

Não sou credora
Ninguém me deve nada
Nem tostão
Nem obrigação
Dispenso desculpas
As explicações
Satisfações
Não tenho medo
Não tenha medo
De vir
Venha
Ou não venha então
E se vier
Venha sincero
Com todas as letras
Ou nada delas
Prefiro a ausência
Aos motivos compensatórios
Por demais, agradecida
(edelvais/jul/10)
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O Medo de Amar e o Medo de Ser Livre
Beto Guedes
e Fernando Brant
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O medo de amar é o medo de ser
Livre para o que der e vier
Livre para sempre estar onde o justo estiver

O medo de amar é o medo de ter
De a todo momento escolher
Com acerto e precisão a melhor direção

O sol levantou mais cedo e quis
Em nossa casa fechada entrar pra ficar

O medo de amar é não arriscar
Esperando que façam por nós
O que é nosso dever: recusar o poder

O sol levantou mais cedo e cegou
O medo nos olhos de quem foi ver
Tanta luz
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uma página que foi escaneada


Línea de Fuego (1974-1978)

Gioconda Belli

TE BUSCO EN LA FUERZA DEL FUTURO

Sola yo, amor,
y vos quién sabe dónde;
tu recuerdo me mece como al maíz el viento
y te traigo en el tiempo,
recorro los caminos,
me río a carcajadas
y somos los dos juntos
otra vez,
junto al agua.
Y somos los dos juntos
otra vez,
bajo el cielo estrellado
en el monte,
de noche.
Yo, amor, he aprendido a coser con tu nombre,
voy juntando mis días, mis minutos, mis horas
con tu hilo de letras.
Me he vuelto alfarera
y he creado vasijas para guardar momentos.
Me he soltado en tormenta
y trueno y lloro de rabia por no tenerte cerca,
en viento me he cambiado,
en brisa, en agua fresca
y azoto, mojo, salto
buscándote en el tiempo
de un futuro que tiene
la fuerza de tu fuerza.

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