quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Em uma agenda de 2004, a página marcava 15 de janeiro.

Canhota


Hoje é dia 21 de janeiro. Preciso chegar até lá com esta letra, talvez consiga.
O mistério da tentativa causa entraves, e rompê-los pode mudar as relações. Poderia inspirar-me na Rosa para dedicar esta página, posso falar da rosa que nasce no jardim, ela é tão vermelha quanto o sangue do rouxinol – ele amou. Falo da rosa cor-de-rosa que tem rosa de nome. A rosa é uma flor, menina-flor, falarei de ti.
Não quero antecipar possíveis...
Perdi-me um pouco naquela menina.
Hoje deu notícias sobre uma exposição das obras do Picasso.
Então, para não ficar enrolando, vou direto ao assunto e pergunto, quem de vós receais as mudanças?
Tenho o João Pedro para ser meu par.
Tenho pressa em coincidir os dias.
Hoje são 22 de janeiro.
Estas serão as primeiras páginas. Queria dizer que as flores são belas. Nascem em cada lugar! Escrevo que digo estar, mesmo estando de boca fechada. A pressa, dizem umas e outros, é inimiga da perfeição(*), concordo com isso. Sei. Não conseguir chegar até ela, é coisa de humanos. Caras são as artes. Momentos iluminados em que faltamos muito pouco para alcançar o perfeito.
Ajo como uma guilhotina em certos pensamentos. O pensar é próprio dos humanos, é a diferença dos outros animais, gosto muito de pensar no jeito de viver dos outros animais, seus comportamentos, eles tem sua comunicação. O que sabem dos arredores? Sabe-se lá o quê? E nós sabemos que eles existem, cruzam para procriação, se bem que, alguns poucos acasalam toda vez que sentem um certo sei lá o quê.
Poderia definir perfeição depois de olhar a palavra no dicionário, fazer isso dá uma outra noção de significado.
Hoje é dia 24 de janeiro, tenho um propósito para amanhã. Tenho uma dívida com alguém sobre uma coisa que me foi concedida, e o tempo vai sendo protelado, só que tenho um propósito para amanhã...
Na ‘verdade’, a ilusão de tudo é o futuro. Escrevo no passado, do passado. Aconteceu da flor ir desabrochando, a cada anoitecer a flor-da-noite negra manchada de branco.
Vinte e três, não tive tempo.
Pensei em falar sobre o tempo, mas pensei também ser muito complicado, escrever sobre o dito cujo. A vida é livre. Nem gostei muito desta afirmação, não a desmancharei. Passou pela minha idéia a liberdade do ser livre. Posso me dar ao luxo de exercitar mais um pouco sobre o mistério. A vida é presa à liberdade. Já tinha conhecimento dessas palavras e as uni assim: o ser só é livre na presença do outro. Alguém interessante disse isto.
Há momentos em que a cabeça pesa: são os pensamentos da realidade dura que fazem morada ali.
Dia 25 de janeiro. Estas páginas, lá atrás, tiveram seu destino determinado, determinei-as de serem o início de algo que tinha em mente. Já não é mais assim, mudei de idéia, elas não serão mais isso, e sem especulações. Andei lendo o princípio e não gostei de algumas coisas, notei alguns erros. Revisarei até aqui(**), daqui em diante...
Volto nestas páginas por mais uma vez. Elas terão o destino que melhor aprouver, quando chegar o momento de apresentá-las, por falar nisto:
_ Olá, meu nome é página, estas outras também tem o mesmo nome, mas não somos iguais, semelhantes apenas no contorno. Por tantas diferenças e apenas estes pontos em comum, é que precisávamos nos entender, tínhamos necessidade da harmonia, podemos nos dispor de várias maneiras, mas sempre seguindo uma seqüência. Estamos presas a ela, isso muda quando temos o prazer de sermos arrancadas.
Estamos no verão e o tempo parece pertencer a outra estação. Tenho até a primeira meia noite. Preciso acreditar que seja um ultimato. Alguém entendeu alguma coisa? Sobre o que pensar a respeito de frases ininteligíveis? Entendi, mas não compreendi nada do que li. No pensamento as palavras vem com tanta rapidez para explicar algo?
Gosto de usar a palavra coisa, ela explica tudo e não diz nada. Vou nomear as coisas. O que será que aconteceria se brotasse um tempo há muito passado onde não, nem lembrança do que fazia com as mãos para passar a ansiedade? Darei um nome ao conjunto destas páginas: páginas da emoção. Sei que estão empobrecidas, é tudo que compreendo, ou seja, muito pouco.
A terra é tão vasta! Ela transborda conhecimentos. E de quantas vidas precisaria até saber um pouco do que passa sobre sua face ou nas suas entranhas?
Hoje são 29 de janeiro. E de repente achei isso tudo tão sem sentido! Que propósito teria? O de simplesmente exercitar minha mão esquerda? Então que seja só isto, desta forma tentarei chegar até lá. Neste momento minha filha dorme o sono da inocência. Ela fica tão tão quando está aconchegada aos braços de Morfeu!
Gostaria mesmo de desprender-me de, literalmente, tudo, e não ter tanto medo do poder das palavras. Meu íntimo pode ser tão obscuro e sinistro às vezes, que dá arrepios só de pensar. Invocar o que há de bom para aguentar toda essa coisa que surge assim, sem querer, sem porque, sem permissão. E como poderia permitir que mais pessoas tivessem acesso?
O universo conspira, as energias se interagem.
Gostaria de escrever mais sobre o que é o poder da vida, da criação, o desenvolvimento e crescimento de um ser tão complexo.
Hoje é dia 31 de janeiro. Vivo tão intensamente os dias! As horas que poderia dedicar-me a escrever sobre, fico meio sem palavras, fico sem jeito de tirá-las do pensamento. Gostaria de falar de justiça; subjetividades a que nomeamos.
São palavras bonitas, aquelas que brotam do sentimento gerado pelo estímulo sensorial.
A Júnia Liz, estivemos na Dra. Cátia.
Já estamos em fevereiro, dia 02, segunda feira, e os dias se confundirão. Aquele coelho do livro da Alice no país..., é tarde, muito tarde.
Hoje são 09 de fevereiro e fui ao médico, Dr. Antônio. Fui sozinha. Fui andando apressada, de ônibus, meu meio usual, e fui com a sensação de que uma coisa só eu sabia, eu tinha um segredo. Um lindo segredo. Nada em minha aparência poderia denunciá-lo, nem um adereço ou a falta dele o poderia dizer. Olhava homens, mulheres, jovens, e pensava: eles não sabem sobre ela. Observava seus semblantes, seus cabelos, suas vestimentas, suas belezas. Quem são estas pessoas? O que as leva tão apressadas pelas calçadas, ruas, nos carros? Não é o tempo, o tempo lhes falta, não o tem, não o tem.
Estou transitando, saindo de uma sexta 13 e indo para o dia 14 de fevereiro e 12 foi aniversário do Ogeno.
Comprei algumas caixas para pintar.
Hoje é meu aniversário, 17 de fevereiro de 2004. Não escreveria se meus atuais anos ficassem resumidos ao marido-companheiro-amante-pai e à filha que temos.
É claro

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Na página, 30 de janeiro.

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(*) Hoje tenho comigo que a pressa não é muito amiga dos detalhes.
(**) À época, não revisei, e ao fazer a transferência, a revisão feita foi com relação à pontuação e uma ou outra palavra escrita errada, o que pude identificar.

4 comentários:

Jorge Pimenta disse...

"Os universos conspiram. As energias interagem"
Ainda estou a matutar nesta ideia... é o efeito borboleta na sua expressão mais poética.
um beijinho, vais!

Vais disse...

Olá Jorge,
ei moço, um caos poético?
hehehe
beijo

Roy Frenkiel disse...

Caos poetico maravilhoso, de fato!

bjx

RF

Vais disse...

Agradecida, Roy
abraço prati e inté mais