sábado, 27 de fevereiro de 2010

Especiarias

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PIRATA ZINE - ANO 1 - N. 2 - DEZ/2001


Lê-me
É um simples pedido
Se acaso ficares entediado, compreendo
Se nada achares de interessante, respeito
Ou se nada entenderes, que posso eu fazer?
Lê de novo.

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Nos mares de letras
Mário, pirata da perna-de-pau, ladra palavras
Seduzida a sereia, cala o canto.
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A utilidade sai das quatro paredes
Lá fora,
ela acha muito mais que ir à padaria,
quando ninguém quer ir
Lá fora,

ela passa pelos bancos,
voa debaixo das marquises
Acha pouso atrás do palácio
Na árvore com sementes cerebrais


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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

como?

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que diga, então
mesmo com tudo
quisera
pudesse saber
onde seria
onde estaria
ganharia mais
satisfações
pelos contornos
preenchidos
às três dimensões
cantaria mais
versos
escreveria mais
melodiosos
poria mais
tons e sons
nem onde houvesse
nem onde coubesse
mas, tivesse quando saber

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

algo assim

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não queria nenhum motivo
naquele momento
não dava
nem podia estar ali
tinha
vinha
pinha
linha
que seguir
como um
rio
fio
nadava
e se soubesse
onde daria
corria muitas léguas
sem partir
nem gás
nem gelatina
nem duro
nem mole
moléculas
tecidos
órgãos
caminhava entre as bananeiras
pulava nas galhas dos pés
e no cimento:
espuma, tinta, palito, borracha...
e voadores
tocando, voando
pousando, voando

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Apresentação d@s autor@s

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Esquecer os próprios defeitos é realmente uma lástima, ainda mais quando é um que incomoda bastante, é uma meleca. Pois bem, sou enrolada, e isto é terrível, e foi um esquecimento de não o ter colocado em primeiro lugar na lista de defeitos, coisa que já acrescentei, na postagem Considerações.
Deixo uma pá de coisas sempre pra última hora, às vezes saem como tinha imaginado, fico satisfeita, mas quando não saem, putz, arrumo um xingueiro só, claro, todos contra mim mesma.
Desde a semana pré carnaval que a Júnia recebeu o material da escola, cadernos, livros, para que fossem encapados, etiquetados, e tal e tal...
Falei, vou aproveitar o feriado de carnaval e fazer tudo isto, e não são coisas que eu não goste de fazer, pois desde pequena, quando já tinha as coordenações, fazia con mucho gusto.
Veio o carnaval, sábado, domingo, segunda, terça, acabou o carnaval, veio a quarta, nada. Quinta, amanheci, é hoje, não tem jeito, coloquei tudo na mesa e comecei.
Era dia de voltar às aulas, fingi de égua e não disse nada às meninas, passei a manhã e a tarde nos encapamentos, demorou, pois tinha que parar hora ou outra para atender/fazer/cuidar da alimentação, uma arrumação aqui e ali, mas consegui, ainda faltam quatro cadernos, contando com um da Elena, o plástico não deu, mas o principal foi feito.

O principal mesmo, desta postagem, que leva o título, vem abaixo, antes de encapar fucei os livros, como não, né? E senti a maior firmeza nas apresentações dos mesmos.
No de Matemática não tem, mas com certeza não será usado para ensinar as crianças a contarem para sempre até ficarem roucas.

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Matemática

Autor: Luiz Roberto Dante

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Geografia

Autores: J. William Vesentini, Dora Martins, Marlene Pécora

Pássaro livre

Gaiola aberta.
Aberta a janela.
O pássaro desperta.

A vida é bela.
A vida é boa.

Voa, pássaro, voa.

(Sidônio Muralha. A dança dos pica-paus.
SP: Global, 1997)

Despertar e voar. Abrir e olhar.
Ao estudar Geografia, muitas janelas podem ser abertas.
Com este livro você vai descobrir mais coisas sobre você, seus colegas, sua casa e sua escola. E você vai dar alguns vôos, não só pelos espaços que fazem parte do seu dia a dia, mas principalmente pela vida, que é boa e bela!
Então, vamos abrir as janelas?

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Ciências
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Autores: Rogério G. Nigro, Maria Cristina da C. Campos

Provar, querer, gostar... Assim é aprender: a sentir, a ver, a ouvir, a tocar, a criar...
Um pouquinho de cada vez, um pouquinho a vida toda. Ambientes e seres vivos, nosso corpo e o mundo que nos cerca. Tudo isto você encontrar neste livro, que também é uma semente. Uma semente que depende de você para brotar e para dar bons frutos.
Provar, querer, gostar: agora, é só começar!

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Letramento e Alfabetização Linguística
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Autoras: Cláudia Miranda, Vera Lúcia Rodrigues

Caro aluno, cara aluna

Escrevemos este livro pensando em você.
A leitura e a escrita ocupam um lugar muito importante no dia a dia. Por isso, como professoras e autoras desta coleção, tínhamos pela frente grandes desafios. Primeiramente, escrever um livro que levasse você a descobrir essa importância. Além disso, que ajudasse você, cada dia mais, a gostar de ler e escrever.
Então, pesquisamos textos que consideramos interessantes. Que acreditamos ser capazes de despertar seu interesse por assuntos que merecem atenção, em estilos e linguagens diversos.
Você vai ler, escrever e organizar oralmente textos de uma grande variedade de gêneros, como contos infantojuvenis e da cultura popular, histórias em quadrinhos, resenhas de filmes, reportagens, propagandas, telas, poesias, peças de teatro, cartuns, entrevistas, debates... Afinal, no dia a dia estamos cercados por esses diferentes usos que as pessoas fazem da língua e das mais diversas manifestações de linguagem.
Enfim, acreditamos que, aprendendo a se comunicar por meio dos diferentes recursos que a nossa sociedade criou, você poderá entender melhor o mundo em que vive e interagir com tudo o que está ao seu redor.
Boas leituras!
Um abraço,

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História
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Autores: J. William Vesentini, Dora Martins, Marlene Pécora

(...) quanta gente,
quanto sonho,
quanta história,
quanto invento,
quanta arte,
quanta vida
há dentro de um livro.

(Ricardo Azevedo. Dezenove poemas desengonçados
SP: Ática, 2000)


Estamos contentes em entregar a você o seu livro de História. Ao escrevê-lo, pensamos nas crianças que gostam de histórias sobre pessoas e lugares, sonhos e desejos, coisas do dia a dia e também do mundo da imaginação.
Neste livro você vai encontrar muitas perguntas: Quem é você? Qual é a sua história? Como são as pessoas com quem você convive? Como é a escola onde você estuda? E a casa onde você mora? Sua rua sempre foi como é hoje? Todo mundo vive do mesmo jeito?
Com seus colegas e a professora você vai trocar idéias para responder a essas e a outras perguntas. Esperamos que este livro ajude você a entender melhor a sua vida, a das pessoas que fazem parte do seu dia a dia e a de muitas outras que viveram antes de você, em outros tempos e lugares.

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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Nas agendas

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Mário Quintana – Diário Poético – 1992

Instinto
As meninas sabem mais do que sabem...
(Mário Quintana)

(escrito na página em 1997)
Às cinco da madrugada
Mudei de meios
Larguei de ser peixe
Virei mamífero
Com um tapa na bunda
Escutaram meu primeiro choro
Abri os olhos encantada
Com a sala de cabeça para baixo

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Agenda Che Guevara – 1998
Comemoração dos 150 anos do
Manifesto do Partido Comunista


(escrito na página em 1999)
Dia procês
Ei gente. Ocês qui tão iscuitano a rádia, ieu sô a Vem, irmã da Vai. Ieu moro lá no Grotão, uma grotona grande, nóis vévi lá. Intão ela me chamô pra visitá a rádia e trusse uma música das boa procês iscuitá, e já tô sabendo qui ela gosta de falá, né? Ói mininos, vô dizê um trem, lá em casa o povo fala qui é uma belezura, é qui nem nóis mermo na chuva. Mas ela falô qui aqui é comunitário, né? Qui a gente pode disgramá a falá. Intão vou contá um negoço procês, nóis num tá satisfeito não, nóis num sabe muito bem das leis, nem das coisas da cidade, mas lá da terra nóis sabe. A gente segue o tempo da chuva, da giada, do sol,..., e os home tão perdendo o tempo da natureza, cês num sabe mais se é inverno, verão,... De vez em quano a gente escuita da tal camada de ozôno, das enchentes, uma disgracera. Um otro dia mermo chegô um tanto de gente pra se arranchá nas bandas da grota, uma gente muito precurpada com essas questãos, a Vai chama eles de companheiros, companheiras, mas nóis fala cumpadre e cumadre, era a gente do Movimento dos Trabalhadores que não tinha terra, cês vê só, nesse mundaréu de terra. E eles tão lá, a mininada sai praquele terreirão todo correno pra lá e pra cá.

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Numa de 2004

Ao companheiro de riscos, ao da vitória
Devo uma canção de canto novo,
Uma bandeira comum que voe com a história
Devo uma canção ao impossível
À mulher, à estrela, ao sonho que nos lança
Devo uma canção ao indescritível
Como uma vela inflamada em ventos de esperança...
(Sílvio Rodriguez)

(escrito na página em 28/10/2007)
Eu bicando

A Matemática é fantástica
Estavam o pai e a filha.
O pai:
- Vamos contar até 100.
A filha começa a contar:
- 1, 2, 3, 4, ..., 10, ..., 20, ..., 30, ..., 38, 40, ..., (alguns faltando), 60, ..., , 80 e 10, (uma escapulida),..., 98,...
- 99, 100. Conta o pai.
- 99,100. Repete a filha. Pai, os números não acabam?
- Nesta nossa contagem, acabaram, no 100, que você contou.
- Papai, pai, pai,...
- A Matemática...
- Pai, podemos contar para sempre?
- Podemos, os números são infinitos. É, mas a Matemática não foi feita só pra isto, ela existe pra muito mais que isto...
- Pai, pai, se eu ficasse contando, contando, vou ficar rouca.
- Pois é, já pensou usar a Matemática pra contar até ficar rouca?
- Éééé..., eu que não vou fazer isto.
Então, pai e filha foram operar as somas e as subtrações usando os dedos e objetos invisíveis.

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Agenda Luta dos Trabalhadores – Brasil séc. XX – NPC – 2009
Agenda Sind-Saúde - 2010

Datas:

1991 – Funcionários em greve contra o atraso nos salários invadem o Palácio do governo de Mato Grosso e forçam o governador a fugir pela porta dos fundos.

1997 – Milhares de manifestantes do MST partem de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais rumo a Brasília na Marcha Nacional pela Reforma Agrária.
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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

uma poesia uma música

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********ontem: carnaval, violão, cantorias********
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José
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E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?





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quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Um Som!

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Anos 80.
Pra mim, é a década mais rica em produção de roque no Brasil.
Nesta, vai um disco inteiro, que tenho escutado um bocado, algumas mais que as outras.
Escolhi trechos de cada uma.
Quem é de curtir...




Timidez
Talvez escreva um poema
No qual grite o seu nome
Nem sei se vale a pena
Talvez só telefone
Eu me ensaio, mas nada sai
O seu rosto me distrai


Vento Ventania
Quero mover
As pás dos moinhos
E abrandar o calor do sol
Quero emaranhar
O cabelo da menina
Mandar meus beijos pelo ar...

Impossível
Tudo bem
Quando termina bem
Os seus olhos
E os seus olhos
Não estão rasos d'água
Mas eu sei que no coração
Ficaram muitas palavras
Um vocabulário inteiro
De ilusão...
Tédio
Alô!
Sabe esses dias
Em que horas dizem nada
E você nem troca o pijama
Preferia estar na cama
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Ida e Volta
Mais a vida ainda me pertence
Embora todos possam ir embora
Ainda que estejam na vinda e eu na volta

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Cai Água, Cai Barraco
É sempre assim todo verão
O tempo fecha, inunda tudo
É sempre assim todo verão
Um dia acaba o mundo todo
..
Teoria
Se Deus me explicasse, ao menos me conformaria
Mas como acreditar se Deus também é teoria.

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Bem Vindo Ao Mundo Adulto
Você agora é que vem com esse papo:
"Está tudo um tédio, não tenho um programa"
Rima tudo com remédio e ainda ganha uma grana

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Descivilização
Porque a vida é passageira; e a morte, o trem.


. Zé Ninguém
Eu não sou ministro, eu não sou magnata
Eu sou do povo, eu sou um Zé Ninguém
Aqui embaixo, as leis são diferentes...

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Múmias
Errar não é humano
Depende de quem erra
Esperamos pela vida
Vivendo só de guerra...

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Meu Reino
Para formar minhas ideias e meus sentimentos
Eu sou a soma de tudo que vejo
..
Brincando Com Fogo
Se você não me sente
Não me deixa sonhar


. Domingo
O dia vai terminar...
Eu só escrevo besteiras...
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Arcos
Cada rua da cidade
Esconde um desconhecido
..
1/4
Se o tempo hoje parasse
Ou então não mais vivesse
Estaria me traindo
Ao pensar que o tempo pararia
Se meu coração não mais batesse


.Inseguro de Vida
Quero dizer somente
Que se ficar, o bicho come
É mais conveniente
Correr que o bicho passa fome

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No mundo da Lua
Quando os astronautas foram a lua
Eu fugi com eles, me joguei por aí
Fugindo de casa, do barulho da rua
Me esquecendo de tudo pra me divertir.
..
Catedral
Aos Deuses, o primor da arquitetura:
Paredes de ouro, metais em lingotes
E sumos sacerdotes,
Em sinal dos tempos,
Conservam seus templos,
Atraindo, aliciando,

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Vesúvio
Eu quero ser como os mangues, onde brota a vida num segundo

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domingo, 7 de fevereiro de 2010

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O pensamento é assim:
A gente simplesmente pensa
nisto ou naquilo
Não gastamos papel, caneta
Não gastamos nem um olhar
E o pensamento vai solto
corre ares, se perde na imensidão do nada
Um termina, outro começa
cheio de sons, de imagens, cheiros e sabores,...
Assim é o pensamento:
Não necessita esforço físico algum
basta ficar deitado mirando...
Um prego na parede e pensando
na amada
Um interruptor e perdido
em sonhos num mar de borboletas
Aquele número na parede
poderia trazer-me fortuna
se tivesse todo esse dinheiro...
Tem pensamento que é assim:
Sombra amanhecida que se esvai
ao nascer do sol
(2005)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

mais um ano

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Esta foto é do final de 2009, as meninas fofas Liz, eu e o cachorro Toby, que é dos vizinhos, mas que também ajudamos a cuidar. Terminavam as aulas e entrávamos de férias, ou a época de engorda, como passei a chamar, sem os cumprimentos dos horários, sem horas pra nada, e as horas pra tudo, uma maravilha.

Começamos novamente, hoje foi da Elena Liz, que este ano completa 5 anos, último ano que pagamos escola pra ela.

Amanhã, da Júnia Liz, que desde ano passado, frequenta uma Municipal, e este ano fará 8 anos.

Fico muito feliz por voltar.

E vamos novamente aos horários, banho, comida, uniformes, tarefas, lancheiras, levar, buscar, cuidar, educar, aprender/ensinar/trocar.

Através delas entrei em contato com um universo, maternidade/educação, reflexões tantas, mudanças, muitas muitas, pude aprofundar em várias questões e daí surgiram os tantos questionamentos, as participações em debates, encontros, Fórum Família-Escola, Ciclo de debates sobre o papel dos Colegiados, Conferência da Educação, Oficina do PAIR-Programa de Ações Integradas e Referenciais de Enfrentamento à violência sexual infanto-juvenil no território brasileiro, e por consequência o enfretamento às muitas violências.

Com muito gosto, inté mais então, uai.
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