quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Nas agendas

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Mário Quintana – Diário Poético – 1992

Instinto
As meninas sabem mais do que sabem...
(Mário Quintana)

(escrito na página em 1997)
Às cinco da madrugada
Mudei de meios
Larguei de ser peixe
Virei mamífero
Com um tapa na bunda
Escutaram meu primeiro choro
Abri os olhos encantada
Com a sala de cabeça para baixo

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Agenda Che Guevara – 1998
Comemoração dos 150 anos do
Manifesto do Partido Comunista


(escrito na página em 1999)
Dia procês
Ei gente. Ocês qui tão iscuitano a rádia, ieu sô a Vem, irmã da Vai. Ieu moro lá no Grotão, uma grotona grande, nóis vévi lá. Intão ela me chamô pra visitá a rádia e trusse uma música das boa procês iscuitá, e já tô sabendo qui ela gosta de falá, né? Ói mininos, vô dizê um trem, lá em casa o povo fala qui é uma belezura, é qui nem nóis mermo na chuva. Mas ela falô qui aqui é comunitário, né? Qui a gente pode disgramá a falá. Intão vou contá um negoço procês, nóis num tá satisfeito não, nóis num sabe muito bem das leis, nem das coisas da cidade, mas lá da terra nóis sabe. A gente segue o tempo da chuva, da giada, do sol,..., e os home tão perdendo o tempo da natureza, cês num sabe mais se é inverno, verão,... De vez em quano a gente escuita da tal camada de ozôno, das enchentes, uma disgracera. Um otro dia mermo chegô um tanto de gente pra se arranchá nas bandas da grota, uma gente muito precurpada com essas questãos, a Vai chama eles de companheiros, companheiras, mas nóis fala cumpadre e cumadre, era a gente do Movimento dos Trabalhadores que não tinha terra, cês vê só, nesse mundaréu de terra. E eles tão lá, a mininada sai praquele terreirão todo correno pra lá e pra cá.

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Numa de 2004

Ao companheiro de riscos, ao da vitória
Devo uma canção de canto novo,
Uma bandeira comum que voe com a história
Devo uma canção ao impossível
À mulher, à estrela, ao sonho que nos lança
Devo uma canção ao indescritível
Como uma vela inflamada em ventos de esperança...
(Sílvio Rodriguez)

(escrito na página em 28/10/2007)
Eu bicando

A Matemática é fantástica
Estavam o pai e a filha.
O pai:
- Vamos contar até 100.
A filha começa a contar:
- 1, 2, 3, 4, ..., 10, ..., 20, ..., 30, ..., 38, 40, ..., (alguns faltando), 60, ..., , 80 e 10, (uma escapulida),..., 98,...
- 99, 100. Conta o pai.
- 99,100. Repete a filha. Pai, os números não acabam?
- Nesta nossa contagem, acabaram, no 100, que você contou.
- Papai, pai, pai,...
- A Matemática...
- Pai, podemos contar para sempre?
- Podemos, os números são infinitos. É, mas a Matemática não foi feita só pra isto, ela existe pra muito mais que isto...
- Pai, pai, se eu ficasse contando, contando, vou ficar rouca.
- Pois é, já pensou usar a Matemática pra contar até ficar rouca?
- Éééé..., eu que não vou fazer isto.
Então, pai e filha foram operar as somas e as subtrações usando os dedos e objetos invisíveis.

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Agenda Luta dos Trabalhadores – Brasil séc. XX – NPC – 2009
Agenda Sind-Saúde - 2010

Datas:

1991 – Funcionários em greve contra o atraso nos salários invadem o Palácio do governo de Mato Grosso e forçam o governador a fugir pela porta dos fundos.

1997 – Milhares de manifestantes do MST partem de São Paulo, Mato Grosso e Minas Gerais rumo a Brasília na Marcha Nacional pela Reforma Agrária.
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5 comentários:

Jens disse...

A Adorável Feiticeira se revela. Bom saber que palavras, sonhos e histórias povoaram a tua cabecinha em tempos idos.

Beijo, Vais.

um z ninguém disse...

baú bom, bem.
beijos

Vais disse...

Olá Simpático,
ahaha, me revelo e disfarço,
minha avó usava uma expressão para as pessoas tímidas, que às vezes bem falo pra mim mesma, que são 'pessoas pro cu adentro', já fui mais assim, hoje menos, ahahah.
E só fui dar conta deste povoamento tempos depois, mas dizem que nunca é tarde, né?
beijo prati Jens

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bem bom bom bem
Beijinho vai

líria porto disse...

fui com a tua cara assim, de cara! risos

adoro os tímidos, são mais observadores, mais silenciosos - e muito engraçados, se queres saber...

besos

(teres o borboletas foi uma surpresa muito boa para mim!)

Vais disse...

Ei Líria,
nem sei porque não respondi este comentário quase um ano atrás

sem puxação gosto há tempos do Tanto Mar, de ler você poemas poesias

e ter o borboletas é gostoso:)
beijos