quarta-feira, 3 de abril de 2013

Sem título



Um dia acabou. Não foi tudo, um sentimento sobrou que era incapaz de preencher o vazio. Era tanto espaço! Os invisíveis perambulavam em expansão, penetrando o resto. Não houve nada. A sobra se encheu, sem corpos, sem braços, sem pernas. Somente as cabeças e quase sempre os olhos. A língua não fazia mais sentido, palavra que ficou de fora. Os cabelos coalharam aquele pedaço de piso só para ter as orelhas livres ao assovio do vento. Queria voar. Subiria devagar, senão do contrário, achava, a pressão estouraria os miolos. O peito virou terra de ninguém. Um vácuo, sem leis, abandonado. Num último momento o coração ainda teve dúvidas, por fim juntou o pouco, que era tudo o que tinha e se foi. Dividido escolheu a descida, instalou-se nos pés.





O SOM!!!!!!!
do filme Hair – Hair

2 comentários:

Assis Freitas disse...

os pés são alados, nos transportam


cheiro

Vais disse...

os olhos também
mas queria mesmo era poder bater umas asas de verdade


um chêro