quarta-feira, 6 de março de 2013

Num calor supitante



E todo estranhamento me chega, exala pelos poros, diante do espelho, diante dos olhos, pelas entranhas.
De que nos vale toda a destruição diária (em todas as dimensões da vida)
De que nos vale toda a miséria, toda a pobreza e toda a pobreza recheada e coberta de bens
De que nos vale todo o massacre cotidiano
Quem são os puros
Quem são os santos
Quem são os perfeitos
Qual a nossa ‘deixa’ neste imenso palco
Muitos e muitas já se consideram salv@s, salv@s de que
Da imperfeição, da lama, do esgoto, da decadência
Muitos e muitas se colocam pairando acima dos mundanos pecadores e pecadoras
E mesmo diante de todo este estranhamento já sei onde encontrar o que faz meu espírito, minha alma, minha essência, meu coração, minha mente, ou coisa que o valha, ser mais livre.

Muitos seres vivos, e todas as circunstâncias que envolvem o ato de alimentar, alimentam para se manterem vivos, colocam a comida pra dentro, seja ela qual for e o estado em que ela, a comida, se encontra.
Assim é conosco, nós, seres humanos, seres da única raça humana.
A comida entra.
O organismo faz o trabalho de absorção do que entra.
Então o ‘bagaço’ vai para os intestinos, vira o cocô, a bosta, as fezes, a merda fica guardada em nós, armazenada até que resolvemos defecar, cagar ou ir fazer um cocô, ou como dizia minha vó, obrar.
É isto que tod@s nós seres humanos, sem exceção, sem distinção, independente do caráter, do gosto, do gênero e por aí vai, fazemos, comemos e cagamos, defecamos, fazemos cocô ou obramos.
Mas, é aí que vem a grande e crucial diferença:
A partir de determinado momento passei a querer, desejar muito e defender  umas bostas e são estas que me servem um excelente adubo, um maravilhoso fertilizante, o alimento para crescimento e florescimento dos meus sonhos, dos meus maiores delírios e quereres. Enquanto que as outras merdas matam tudo pela raiz, estas eu rejeito, são nocivas, venenosas.

Aqui presente: socialistas, comunistas, anarquistas, libertários, lutadoras e lutadores do povo que empunham as bandeiras com alegria, honra, força e garra contra a opressão, contra a dominação, contra todas as desgraças geradas pelo capetalismodusquintodusinfernos, contra os dogmas que tanto embotam o discernimento e que tanto destroem o que há de mais belo.
(FEV/2013)



O Som!!!!!!!!!!!
Saiba – Adriana Calcanhotto

2 comentários:

Assis Freitas disse...

reguemos o que merece florescer,


beijo

Vais disse...

pois sim, Assis
e com o que há de melhor ou o que isto queira dizer

beijo grande