quinta-feira, 18 de outubro de 2012

das ausências


“As bocas fecharam no silêncio das árvores.”
“O calor adormecido no aquário da linguagem.”
(Jorge Pimenta)

para Jorge Pimenta

O aquário da linguagem: as bocas, as mãos, os corpos
nas bocas, nas mãos, nos corpos.
O silêncio dos aparelhos, do vento, da noite, do dia deserto, do sussurro
Saliva e suores do silêncio úmido adormecido.
No aquário faz adormecer as bocas, as mãos, os corpos
em escaldante cansaço
as glândulas sêcas
as linhas rachadas
os membros inertes.
(out/2010)


porque somos as mudanças das estações, somos as fases da lua. o tempo passa e sobrevoa a terra, os montes, as matas, as águas, os corpos, e novamente a terra. o vento carrega as folhas, leva-traz, movimenta as ondas. porque somos o corte que sangra e a palavra só, já não basta. muitos olhos cegos brilham por verdes papéis e não pelo vivo verde, muitos ouvidos surdos só ouvem o tilintar metálico e não os acordes melodiosos. mas as mãos lutam por levar o perfume da primavera às narinas, lutam por levar a maciez das pétalas orvalhadas à face. o toque, o toque... estendo os braços abertos e sinto nas pontas dos dedos o calor, o frio, o vento, as batidas pulsando, pulsando...
(set/2012)




O Som!!!!!

Dulce Pontes – Ondeia-Agua

4 comentários:

Assis Freitas disse...

bela homenagem ao sumido Jorge,



beijo

Vais disse...

valeu, Assis!
e salve, Jorge!
beijinho

eurico portugal disse...

"quando falo demais começo a separar-me de mim e a ouvir-me falar. Isso faz com que (...) sinta demasiadamente o coração" - fernando pessoa

há momentos em que até o farol tem de se desprender do mar para saber quem é...

beijo, vais e obrigado pelo carinho! um abraço ao assis a quem peço desculpa por um silêncio já longo e que não mitiguei em palavras.

Vais disse...

que bonito!
é um prazer!!!!
:)

beijo, também