terça-feira, 31 de julho de 2012

dando geral

Tinha guardado em um quartinho de despejo no apartamento de minha mãe umas poucas caixas contendo livros e muitos, muitos papéis dos anos em que participei de algumas atividades aqui em BH. Já não era sem tempo de dar um jeito. Junto com um dos irmãos trouxemos as caixas. E caixa por caixa fui separando o que ia ficar e o que ia para a reciclagem.
Foi então que encontrei um caderninho de 2001 que usava para fazer anotações dos encontros e reuniões, passando as páginas achei este escrito que vem, com apenas uma mudança de lugar duma frase.

Não ando de toquinho por aí.
Entrelaçando meus vinte dedos tornei-me um João-Bobo, para cá e para lá embalava meus órgãos.
Poderia andar de quatro, se assim fosse.
Mas, um dia, há muito tempo atrás, ergui o corpo.
Não sei se foi num momento de fome ou quando num amanhecer abri os braços ao sol.
Desde então, o toque ficou mais claro.
As unhas roçaram a pele e tiraram células mortas.
Abri as mãos e vi buracos na face.
Começou assim,
Meus olhos sentiram os contornos, a textura macia e áspera...
Fui direto ao barro e lacrimejando fiz do toque, a imagem.
(2001)




*** Ficar de toquinho é uma expressão que na fala vira 'ficar de tuquim' e é o mesmo que plantar bananeira.***

6 comentários:

Vida disse...

"Meus olhos sentiram os contornos, a textura macia e áspera..."
Sábios olhos... teu texto revela isso claramente!
Beijo.
Sigo contigo.

Vais disse...

Seja bem vinda, Vida
Grácias pelas palavras e visita
volte sempre que tocar
beijo pra você também

Assis Freitas disse...

ao barro e chegarás a forma, trabalho de mãos,

beijo

Vais disse...

sim, Assis, trabalho de mãos que abrigam no momento toda a emoção, toda a energia canalizada.

beijo pra ti também

Jorge Pimenta disse...

gaveta de papéis - estórias de paisagens eternamente em órbita. e a imagem fez-se a própria retina.

beijos, querida vais!

Vais disse...

te repito
paisagens eternamente em órbita

beijos pra você também, Jorge