domingo, 20 de fevereiro de 2011

e tod@s se vão

Fragmentos De Um Discurso Amoroso
Roland Barthes

O ausente

AUSÊNCIA: Todo episódio de linguagem que põe em cena a ausência do objeto amado-quaisquer que sejam a causa e a duração-e tende a transformar essa ausência em prova de abandono.

Hugo – E.B.: carta.
2. Historicamente, o discurso da ausência é sustentado pela Mulher: a Mulher é sedentária, o Homem é caçador, viajante; a Mulher é fiel (ela espera), o homem é conquistador(navega e aborda). É a mulher que dá forma à ausência: ela tece e ela canta; as Tecelãs, as “chansons de toile”**, dizem ao mesmo tempo a imobilidade (pelo ronrom do tear) e a ausência (ao longe, ritmos de viagem, vagas marinhas, cavalgadas). De onde resulta que todo homem que fala a ausência do outro, feminino que se declara: esse homem que espera e sofre, está milagrosamente feminizado. Um homem não é feminizado por ser invertido sexualmente, mas por estar apaixonado. (Mito e utipia: a origem pertenceu, o futuro pertencerá àqueles que tem algo feminino.)

** Canções das tecelãs na Idade Média.(N.daT.)


Rusbrock Banquete - Diderot
4. Desperto muito rápido desse esquecimento. Apressadamente arranjo uma lembrança, uma perturbação. Do corpo vem uma palavra (clássica) que diz a emoção da ausência: suspirar: “suspirar depois da presença corporal”: as duas metades do andrógeno suspiram uma depois da outra, como se cada sopro, incompleto, quisesse se misturar ao outro: imagem do abraço que funde as duas imagens numa só: na ausência amorosa, sou, tristemente, uma imagem deslocada, que seca, amarelece, encarquilha.


Diderot: “Inclina teus lábios sobre mim
E que ao sair da minha boca
Minha alma repasse em ti.”
(canção ao gosto romântico)
Grego: Détienne, 168.


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Um Som!
Achei este vídeo.



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ESCRITO DA ESPERA

... de que nada aconteça. Te escreverei poemas. De que me valem quais!? Se, às vezes, nem os considero como tais!? Vou transformando em palavras. Até quanto houver dos sentimentos. Até quando se forem. Todos, comigo junto. Então, fico à espera... de que nada aconteça.
(2009)

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5 comentários:

Assis Freitas disse...

esse livro do Barthes me acompanha sempre, é precioso

beijo

Jens disse...

Oi Vais.
Se um homem é feminizado por estar apaixonado, sou uma mulherzinha.
Salve as mulheres. Salve a alegria.
E salve você, Feiticeira. Parabéns pelo aniversário, perdoa a minha ausência na festa. Saúde, paz, prosperidade e muito amor na tua vida.

Beijo.

Vais disse...

Olá Assis,
algumas partes são de cair o queixo.
beijo

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AAAAAAAAA, mulherzinha

Não ia perdoar nada, Simpático Jens, mas nas atuais circunstâncias

ô moço, sua presença por aqui é pura festa

Te desejo tudo em dobro
beijos

Marcello disse...

Não vejo Barthes desde o curso de Letras (ou melhor, os dois semestres que frequentei). Boa hora para reencontrá-lo, via "Fragmentos...". Valeu a dica.

(E, Vais, deixei uns parabéns meio atrasadinhos no post ai de baixo. É que estive fora, mas não poderia deixar de te cumprimentar. Um abraço)

Vais disse...

Fragmentos..., é um livro altamente tocante.

eu vi, viu, Marcello?
também te respondi
brigadim, moço
abraço