quinta-feira, 10 de abril de 2008

datas e carta

10 de abril de 1919, é assassinado em Cuernavaca, México, um grande líder, um lutador pela reforma agrária, um guerrilheiro da terra, Emiliano Zapata.

DA LAMA AO CAOS
Chico Science / Nação Zumbi
Monólogo ao Pé do Ouvido
O homem coletivo sente a necessidade de lutar
O orgulho, a arrôgancia, a glória
Enche a imaginação de domínio
São demônios os que destroem o poder
Bravio da humanidade
Viva Zapata!Viva Sandino!Viva Zumbi
Antônio conselheiro!
Todos os panteras negras
Lampião sua imagem e semelhança
Eu tenho certeza eles também cantaram um dia.

17 de abril de 1996, massacre em Eldorado dos Carajás, Pará. Dezenove sem-terras foram assassinados e mais de 100 pessoas ficaram feridas.

Resposta à carta de Vítor E. F. Mendezes-Boa Esperança/MG. Publicada na coluna ‘cartas à redação’, em 27 de setembro de 2000.

Resposta a Vítor
Não me admiraria você ter sido eleitor e apoiar o atual presidente com seu bando de puxa-sacos e escravos dos EUA.
Não me admiraria você achar bonito quando o papa abençoou os tanques destinados a matar milhões, na segunda guerra mundial.
Não me admiraria você querer a volta da ditadura implantada no Brasil, quando inocentes foram mortos e calados, quando generais e coronéis trancafiaram a liberdade juntamente com aqueles que a tinham como bandeira da democracia.
Aliás, não me admiraria você ser um desses, um filho desses, um parente desses assassinos que se vangloriam até hoje de seus atos, e acham ter prestado algo ao Brasil e à humanidade.
Sinto vergonha de pertencer à mesma raça que você!
Dezenove pessoas, cidadãos, foram brutalmente, friamente assassinados em Eldorado dos Carajás, e muitos e muitas ainda o são.
Enfim, não me admiraria você ter tatuadas na testa a suástica alemã e a bandeira dos Estados Unidos da América.

Depois da revisão feita pelo amigo Mauro, esta carta-resposta, entreguei-a, poucos dias depois, na recepção da sede do jornal. Qual não foi minha surpresa, quando dias mais tarde, o amigo e companheiro Jack, leitor assíduo, me chega com o jornal e a carta publicada.

5 comentários:

sandra camurça disse...

Clap! Clap! Clap!

Viva México!
Viva Zapata!
Viva Sandino!
Viva Science
Viva Vais!
Viva Voz? rsrsrs...

Besos & Besos

Moacy Cirne disse...

Lembranças necessárias, necessárias lutas, lutas guerreiras, guerreiras postagens. Beijos.

Moacy Cirne disse...

Grato pela dica. Mas, aparentemente, tenho que esperar um novo comentário indesejável para excluí-lo, não? Ou não entendi direito? Um abraço.

Jens disse...

Oi Vais.
Adivinha quem veio para o jantar?
Pois é. Como Corisco, "eu não me entrego não. Só me entrego na morte de parabelo na mão". Gozado saber que parabelo, abrasileirado, vem da expressão latina Si vis pacem, para bellum ("Se queres a paz, prepara a guerra"). Para a guerra. Parabelo. Vai, Diabo Loiro.
***
Seguinte: gosto de vir aqui e ver que continua acesa a chama de uma causa que empunhei por muito tempo (cá, entre nós, ainda continuo aí), pela qual vivi, morri, mas, sobretudo, VIVI. VIVO.
Lula lá, hoje, pra mim, é uma vitória, lutei por isto e, com satisfação vejo que, apesar dos anos (que modificam todos nós), ele não esqueceu o básico - transferir os recursos do estado para os pobres (pobres não, miseráveis). Quando a grana ia somente para os ricos, via BNDES e Proers, tudo bem. Agora é esmola. Que a direita diga isto, OK. Mas que a esquerda embarque nesta canoa? Porra!
Tá, tá, falta muito, muito. Mas meu companheiro de luta (veio nos apoiar quando estávamos, os bancários gaúchos, enfrentando uma greve solitária e suicida em 79), meu companheiro de partido (minha ficha era a de número 300 quando da campanha de fundação - depois concorri a vereador, com 687 votos), meu camarada e amigo (guris, vocês estão se alimentando?, perguntava Dona Marisa para mim e o fotógrafo que os acompanhamos por 1 semana no interior do RS, em 92 (ou seria 94?) na Caravana da Cidadania - a melhor reportagem que já escrevi). Bom, onde é que eu estava: ah, sim! Porra, acho que o Lula está fazendo um bom trabalho dentro das condições existentes. Precisa mais, claro. Mas não dá para querer mais elegendo um congresso de maioria direitista, ou muito menos com uma extrema esquerda canalha e reacionária como a do PSOL de Heloísa Helena e o PSTU. O Stédile tem que descer da planície ou então que faça a revolução, se puder.
Porra, senti que fiz um puta desabafo, meio confuso, estranho (eu sou assim mesmo). Não vou reler e não vou revisar, caso contrário me arrependo. Desculpa qualquer coisa.
Beijo.

Marcelo F. Carvalho disse...

Vais, o que aconteceu em El Carajás me angustia até hoje. Aliás, não consigo esquecer as declaração do, então deputado (?) Agnaldo Timóteo sobre a polícia ter se defendido...(!)
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Tenho algo escrito sobre Carajás que você "lembrou na minha lembrança"... Vou postar.
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Belíssima manifestação!
Abraço forte