sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Caros Amigos

É só uma pergunta e uma resposta que escolhi para dar um gostinho para quem, se for do interesse, e que ainda não leu, a entrevista com o Silvio Tendler, apenas no virtual da página da Caros Amigos.



Marcos Zibordi: Como driblar a grande imprensa, por exemplo?
Sílvio Tendler: Guerrilha cultural, na verdade é o que estou fazendo com o Milton Santos, vocês fazem com Caros Amigos, vocês não têm nem de longe a tiragem de uma grande revista brasileira, mas não vai deixar de escrever por causa disso. Não vão deixar de publicar o que pensam pra ter mais público, vão ter o seu tamanho e conseguir chegar às pessoas nas quais querem chegar, está chegando todo mês lá em casa. E não me interessa se meu filme vai fazer 2.000, 5.000 ou 200.000 espectadores, eu quero despertar as pessoas que o assistam, não quero adormecer, não quero anestesiar as pessoas. Agora, você tem formas para chegar no grande público, eu sei fazer, já fiz. Já trabalhei em televisão, já fiz novela, já fiz institucionais, não trilho o caminho que trilho por incompetência, mas por convicção. Estou muito mais feliz com as coisas que faço do que estaria se estivesse com o bolso cheio de dinheiro e infeliz porque estou mentindo. Na verdade, a gente tem que aprender também a negociar com a grande imprensa, tem que saber o tamanho da gente e lutar para ocupar os espaços. O grande problema é que está tudo sitiado e também, como o próprio Milton Santos diz no filme, a gente tem muito mais ruído do que informação. E ruído é essa coisa desconexa, na verdade você não tem uma opinião pública contra o MST, você tem pequenas informações e essas pequenas informações confundem, não permitem juntar lé com cré. A gente fica falando, por exemplo, de democracia, quebra de barreiras, mostra no filme qual é a democracia que os Estados Unidos querem, fechando as fronteiras para os mexicanos e para os latinos, é isso que é globalização? As mercadorias e os capitais podem circular e as pessoas não? A Europa fazendo muros para impedir a entrada de africanos? Isso que é livre circulação? Os africanos que eles precisam para limpar as latrinas européias estão lá dentro. Os outros que estão com fome morrem. Isso é que liberdade? Então vamos discutir isso, e um filme como esse é fundamental para dar nexo à história.
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7 comentários:

sandra camurça disse...

Arretado Vais! Fiquei curiosa pra ver o filme.

Beijos, querida.

Jens disse...

Oi Vais.
Aleluia! Vida inteligente no cinema nacional. Nestes tempos de Tropa de Choque, muito oportuno o teu destaque. Valeu!
Abraço. Beijo. Dias ensolarados pra você.

Ane Brasil disse...

Valeu a dica!
Agora é correr atrás!
Sorte e saúde pra todos!

Acantha disse...

Revista e filme lembram os blogs: não deixamos de publicar, mesmo que não nos leiam... Ótima dica Vais..

Fernanda Passos disse...

Vais, excelente a entrevista. Mas vim postar mesmo foi pra me desculpar com vc.
Li e gostei de tua homenagem. Só não comentei pq ando alucinada com o corre-corre do dia a dia insano. Nunca mais comentei no blog dos amigos(incluindo vc). Desculpe-me. Estou tentando me organizar e pretendo resolver isso logo. Sinto muita falta dessa corrente virtual.
Beijo grande.

adelaide amorim disse...

Nada como um bom filme pra jogar luz sobre um assunto desses. Beijo pra você.

Marcelo F. Carvalho disse...

Vou plagiar o Jens: "vida inteligente no cinema!"
Tremenda entrevista!
Boa, ótima pescaria, Vais!
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Abraço forte!