domingo, 22 de setembro de 2013

ao sabor

do que passou:

Junho/2013

escrevi e pintei esta camiseta para o Assis.


















Presente paisagem que me corre
Faço desta lembrança a tatuagem primeira do que foi
Espaço das palavras
O sentir sertão nas flores da seca
Ave piando na imensidão
Possibilidades da maresia soprada
Volto ao que foi
E não há sol mais escaldante que contenha um arrepio
Cabelo ao vento da poeira
E a terra, o chão
Quente que arde
O corpo ergue o orvalho
E algo é proibido
Mistérios, veja você
Algo tão (ir)real
Tão concreto
Efêmero
Mas fica marcada ali na curva das nuvens
Tangente do abismo, um mar de ar

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Julho/2013

Sexta-feira, 5 de Julho de 2013

diário do verão para certezas avulsas e breves singularidades

pernoitas em mim
e se por acaso te toco a memória... amas
ou finges morrer.

Al Berto, O Medo
desço
por dentro e a prumo a cada
incêndio do sangue,
do próprio deus,
a embebedar o vento no rosto
enquanto fugimos daquele
verão:

o tempo das certezas sem interrogação
a arder na claridade como
ondas invisíveis,
o querer altivo de figurações
e poemas completos:

foi o estio dos homens
grito e silêncio na generosidade dos corpos
por não poderes fugir do que não alcanças,
verão sem rosto
a dissolver frutos vermelhos dentro de ti
lentamente e sem embaraço
seguro de que as asas do voo cicatrizariam
feridas e tempo:

eu era o mistério a habitar-te as mãos,
eu, da cor dos teus olhos,
da terra húmida e do frescor que não se esquece,
eu tinha fé no tempo nas imagens e nos símbolos;
tu, apenas desejavas rosas
mas temias o vento que nada faz mexer:

o verão passou
e a boca, sentada no peito moribundo,
mordeu o silêncio branco do ar
atirado ao chão,
nenhum de nós o ousou respirar
e tu morreste
e eu morri:

regressámos aonde nunca estivemos
acreditando ter vencido o tempo das palavras
sobretudo o tempo sem palavras:

hoje,
é julho,
o mercúrio aquece a pele
e a vida inteira é mais longa do que
as sombras de abrigo:

ao regressarmos à gaveta do tempo
teremos esquecido a rota dos pássaros
e a leve alegria dos lábios
lentamente
como quem procura o outro no espelho
mas somente se encontra a si:

hoje,
é julho
e continuamos à espera da imagem do verão
e do reflexo de cada um dos seus incêndios.

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Julho/2013
coloquei o que vai no feici búqui

41 – HERACLITISMO 
Toda a felicidade na terra
Amigos, está na luta!
Sim, para tornar-se amigo
É necessária a fumaça da poeira!
Em três casos os amigos estão unidos:
Irmãos diante da miséria,
Iguais diante do inimigo,
Livres – diante da morte!
(Nietzsche – A Gaia Ciência)

Um fragmento. Nos conhecemos em 2000 na Praça 7 fazendo agitação, era o fechamento da Rádio Comunitária Santê FM 102.5 e a disputa de segundo turno para prefeitura de Belo Horizonte. Eu fazia parte do coletivo da rádio, tínhamos nossa barraquinha montada na praça para arrecadar assinaturas contra o fechamento e a CUT montou barraca ao lado da nossa, com som, microfones em apoio ao candidato Célio de Castro. Aí o troço ficou bom, rádio ao vivo direto da praça. Através do Jackson que conseguiu com o amigo e companheiro, camarada Valdisnei do Sind-Saúde, combativo sindicato filiado à CUT e contribuidor financeiro da rádio, para que nossa barraca ficasse guardada lá no Sindicato. E o Valdisnei ia pra praça.

Dia 09/07/2013, lá se foi o corpo do Valdisnei, morreu, faleceu, desencarnou. Ele, amigo, companheiro, camarada, incorruptível, meu namorado, amante, marido e pai de duas barrigas minhas, nossas meninas fofas Liz. Uma honra e um puta orgulho ter feito parte da sua história.

Vou, sem o extremo drama, apenas a busca dos dias vividos, viventes, de toda ideia, realidade da matéria em cada tempo que houver... a vontade, o desejo pulsante, os delírios e as doideiras, a louca lucidez.
♥♥♥♥♥♥♥♥♥
bonequinho do nosso querido e amado Valdis, arte da Juninha Liz, irmã da Eleninha Liz, nossas filhotas fofas Liz. ♥♥♥♥

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Tenho um gosto muito especial por esta página.

SAUDAÇÕES EM TODAS AS LÍNGUAS E GESTOS!!!!!!!


4 comentários:

Assis Freitas disse...

continuo saboreando teu mimo

e que bela homenagem ao teu Valdisnei




beijo

jorge pimenta disse...

querida vais,
a eternidade é, antes mais, uma forma de sentir que reclama a nossa atenção para sabermos quando colher os frutos das nossas estações, todos eles, inclusive os da dor.

um beijo com saudades tuas!

sandra camurça disse...

certamente, onde quer que o Val esteja, ele também tem orgulho de ter feito parte de uma parte de sua vida que segue em frente, bonita, talentosa e forte como você.

beijos, querida!
que tudo esteja bem e calmo por aí, com você e as fofas Liz.
dê notícias!

Vais disse...

Saudações queridos Assis e Jorge, querida hermanita

é bom de ter vocês por aqui

fico vendo a morte uma ausência eterna e tudo vira passado

Darei mais notícias, Sandrinha :) as coisas vão indo bem por aqui, comigo e com as fofas

beijos nos corações diocês (Júju que fala)♥♥♥♥♥♥