sexta-feira, 12 de abril de 2013

nesta semana


Em Portugal

http://josesaramago.org/409550.html

Vandalismo na Casa dos Bicos

Atentar contra o património não atinge a alma de uma cidade se esta reagir. E a cidade reagiu.
A Fundação José Saramago agradece todas as manifestações de apoio recebidas.
Na madrugada de domingo a Casa dos Bicos foi alvo de um acto gratuito de vandalismo que resultou na destruição do conjunto de painéis que desde o passado mês de novembro assinalam os 30 anos da edição deMemorial do Convento e os 90 Anos de José Saramago. A Fundação José Saramago denuncia o sucedido e afirma que este tipo de vandalismo, mais do que atingir a Fundação e a Casa dos Bicos, atinge a cidade de Lisboa, a sua população e todos os visitantes da Casa, que nestes meses têm deixado testemunho do apreço por esta iniciativa de transformar o edifício numa galeria pública virada para o Tejo e para a cidade. A metáfora da destruição faz aqui todo o sentido, se associarmos os que perpetram actos contra o bem público aos que neste momento retiram a Portugal a soberania e os seus direitos, situação contra a qual parecemos indefesos, como país, como Fundação.
Para as autoridades competentes seguiu já uma denúncia do crime.



******************************************************

No Chile

Exumação do corpo de Pablo Neruda

"Ao tirar a urna, havia uma placa mofada pelo tempo, descolorida, e colocaram um líquido milagroso que fez surgir o nome de Pablo Neruda na placa, e efetivamente corroborava o que eu dizia: que havia sido enterrado do lado esquerdo, olhando para o mar", relatou à AFP o sobrinho do poeta, Rodolfo Reyes.


EL MAR – PABLO NERUDA

NECESITO del mar porque me enseña:
no sé se aprendo música o conciencia:
no sé si es ola sola o ser profundo
o sólo ronca voz o deslumbrante
suposición de peces y navios.
El hecho es que hasta cuando estoy dormido
de algún modo magnético circulo
en la universidad del oleaje.   
No son sólo las conchas trituradas
como si algún planeta tembloroso
participara paulatina muerte,
no, del  fragmento reconstruyo el día,
de una racha de sal la estalactita
y de una cucharada el dios inmenso.

Lo que antes me enseñó ló guardo! Es aire,
incesante viento, agua e arena.

Parece poco para el hombre joven
que aquí  llegó a vivir con sus incendios,
y sin embargo el pulso que subía
y bajaba a su abismo,
el frio del azul que crepitaba,
el desmoronamiento de la estrella,
el tierno desplegarse de la ola
despilfarrando nieve con la espuma,
el poder quieto, allí, determinado
como un trono de piedra em lo profundo,
substituyó el recinto en que crecián
tristeza terca, amontonando olvido,
y cambió bruscamente mi existencia:
di mi adhesión al puro movimiento.


6 comentários:

Assis Freitas disse...

neruda é imenso



beijo

Vais disse...

imenso como o mar

beijo, Assis

Primeira Pessoa disse...

a exumação do corpo de neruda foi vandalismo, também.
não consigo conceber o vandalismo.
não acho que grafitagem seja arte, quando não há permissão do proprietário do imóvel (ou do poder público, no caso das pontes, dos monumentos, etc)...

vandalismo deveria ter ficado lá, no tempo dos vândalos.
e seu cadáver jamais deveria ser exumado.

beijão do
r.

Vais disse...

Saudações, Roberto
é um prazer te ter aqui, moço

grácias

beijão pra você também

eurico portugal disse...

"A metáfora da destruição faz aqui todo o sentido, se associarmos os que perpetram actos contra o bem público aos que neste momento retiram a Portugal a soberania e os seus direitos, situação contra a qual parecemos indefesos, como país, como Fundação."

o próprio saramago não o teria dito melhor; é disso que se trata: um país e um povo à mercê de vândalos e aves de rapina. haverá coisa pior?

abraço, vais! este teu olhar de condor é altamente instigador e inspirador. adoro a escrita que agita e surpreende.

p.s. tão bom saber-te aqui, aí, cá e em todos os lugares de sempre.

Vais disse...

Eurico, me vem várias palavras, desconstrução, quebra, a liberdade, o poder de se ter o poder, porque tudo podemos e por este poder de se ter o poder é que é feito, penso que o dever mora na consciência e são várias as visões e os interesses da desconstrução onde existe a inversão de valores e vejo como a luta é braba e quanto leva do tempo das vidas para que se faça pequeniníssimos furos nas estruturas tão sólidas, a desconstrução maior,abrir os olhos pra algo muito maior nos deixa meio loucos.

beijo no coração, sempre querido