terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Já faz um tempo não pego nesta lapiseira: uma pentel esquecida, achada numa sala vazia. Ou num pincel. Só quero, no momento, escutar a música tocar. Pensar numa história inacabada ou noutra desenhada, donde o teor ainda anda no ar.
Escrever sobre o ponto de fuga, sobre a menina que bebe água, uma árvore que nasce, um pássaro no vôo, o brilho da estrela. Escrever sobre um universo cheio de tudo. Um pouco sobre todas as coisas. De quantas canetas e papel precisarei? Mesmo que seja um pouco... Quantas vidas terei que viver até que, não reste nada a escrever? Só me restará escrever a respeito do nada. E o nada, está vazio(ou de saco cheio) de tudo.
Mas, a mulher despida vinho com suas vestes pendentes, coxa de fora, escora-se em pauis e não sei quê cavernoso. Atrás, pirâmides estão, transportadas, não daquelas areias escaldantes desérticas, vindas doutro, de águas azuis esverdeadas. Umas sustentam redondos mundos, enquanto a outra é alçada pelo círculo radiante.
... é quando a matéria se comprime, e tudo não passa de bola de gude(ou duma birosca). É quando outra parte se expande, correndo mundos. Chega ao ponto de nuvens. Desce. Planta os pés. Os nervos estirados rompem a carne, unem-se à descarga elétrica, eriçando cabelos: A copa formou-se!
(1997)

5 comentários:

Jorge Pimenta disse...

"e o nada, está vazio de tudo."
mas nada estará tão cheio de... nada... como o próprio nada. por outro lado, há nadas que são tudo: o mito, por exemplo (no dizer de pessoa).
voto no nada para começar; de nada em nada coleccionarei tudo!
beijinho trocadilhado! :)

Jens disse...

Enquanto há vida, há experiências para viver e histórias para contar. Então, mãos à obra, Feiticeira. Prepara a lapiseira. Sou todo olhos e ouvidos.

Beijo, Vais.

Cris de Souza disse...

senti e fui tocada...

beijo, querida!

Janaina Cruz disse...

Transmutações travestidas da grande vontade de escrever, misturadas a algibeiras de inspirações fantásticas.

Esse post tá de encantar e inspirar também, nem estranhe Vais se de repente acontecerem por aqui poemas e poemas...

Abraços

Vais disse...

Olá Jorge,
nada é não algo muito estranho, uma coleção de ausências
beijinho

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Sóóóóóóóóó,
viu, Simpático Jens!
beijos prati

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Moça Cris.tal,
é um prazer de ter você por aqui
beijos

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Ei Janaina,
Grata pelas palavras
uai, e que aconteçam muitos e vários poemas, então:)não vou estranhar, ehehe
beijos prati