sábado, 31 de maio de 2008

outro sentido uma camiseta um bótom

uma camiseta tesante
O carnaval em volta é da Júnia Liz. Ajudei um pouquinho.

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um bótom

Vai bem em qualquer ocasião.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Sobre as mãos II

Li A Caverna, e este livro do Saramago, mexeu, revirou, impressionou, abestalhou, abobalhou tanto, que resolvi trazê-lo pro Canto. Esta pretensão veio antes de terminar de lê-lo, há meses atrás, mas não sabia para quando seria, então, de toda forma, as mãos e seus dedos anteciparam a colocação. Como não comecei do começo, a não ser pela citação do Platão, continuarei por temas, porque também, não tinha pensado em como o colocaria. Esta passagem das mãos encaixou bem com a relutância das minhas, esses dias, pra reproduzirem em escrita alguns pensamentos, que não sejam os meus então, e nada melhor de quem tem, e como, as manhas. Apesar de outras passagens se referirem às mãos e ao que vem delas, não continuarei nelas, outro tema virá.
Inté.
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(finalzinho da p. 82; p.83)
Note-se que, ao nascermos, os dedos ainda não têm cérebros, vão-nos formando pouco a pouco com o passar do tempo e o auxílio dos olhos que vêem. O auxílio dos olhos é importante, tanto quanto o auxílio daquilo que por eles é visto. Por isso o que os dedos sempre souberam fazer de melhor foi precisamente revelar o oculto. O que no cérebro possa ser percebido como conhecimento infuso, mágico ou sobrenatural, seja o que for que signifiquem sobrenatural, mágico e infuso, foram os dedos e os seus pequenos cérebros que lho ensinaram. Para que o cérebro da cabeça soubesse o que era a pedra, foi preciso primeiro que os dedos a tocassem, lhe sentissem a aspereza, o peso e a densidade, foi preciso que se ferissem nela. Só muito tempo depois o cérebro compreendeu que daquele pedaço de rocha se poderia fazer uma coisa a que chamaria faca e uma coisa a que chamaria ídolo. O cérebro da cabeça andou toda a vida atrasado em relação às mãos, e mesmo nestes tempos, quando nos parece que passou à frente delas, ainda são os dedos que têm de lhe explicar as investigações do tacto, o estremecimento da epiderme ao tocar o barro, a dilaceração aguda do cinzel, a mordedura do ácido na chapa, a vibração subtil de uma folha de papel estendida, a ortografia das texturas, o entramado das fibras, o abecedário em relevo do mundo. E as cores. Manda a verdade que se diga que o cérebro é muito menos entendido em cores do que crê. É certo que consegue ver mais ou menos claramente visto o que os olhos lhe mostram, mas as mais das vezes sofre do que poderíamos designar por problemas de orientação sempre que chega a hora de converter em conhecimento o que viu. Graças à inconsciente segurança com que a duração da vida acabou por dota-lo, pronuncia sem hesitar os nomes das cores a que chama elementares e complementárias, mas imediatamente se perde, perplexo, duvidoso, quando tenta formar palavras que possam servir de rótulos ou dísticos explicativos de algo que toca o inefável, de algo que roça o indizível, aquela cor ainda de todo não nascida que, com o assentimento, a cumplicidade, e não raro a surpresa dos próprios olhos, as mãos e os dedos vão criando e que provavelmente nunca chegará a receber o seu justo nome.
=> o destaque é meu.

sábado, 24 de maio de 2008

Sobre as mãos - A Caverna de Saramago

Que estranha cena descreves e que
estranhos prisioneiros, São iguais a nós.
Platão, República, Livro VII
...
(p. 82)
Horas atrás de horas, durante o resto desse dia e parte do dia seguinte, até a hora em que teria de ir buscar Marçal ao Centro, o oleiro fez, desfez e refez bonecos com figura de enfermeiras e de mandarins, de bobos e de assírios, de esquimós e de palhaços, quase irreconhecíveis nas primeiras tentativas, mas logo ganhando forma e sentido à medida que os dedos começaram a interpretar por sua própria conta e de acordo com suas próprias leis as instruções que lhes chegavam da cabeça. Na verdade, são poucos os que sabem da existência de um pequeno cérebro em cada um dos dedos da mão, algures entre a falange, a falanginha e a falangeta. Aquele outro órgão a que chamamos cérebro, esse com que viemos ao mundo, esse que transportamos dentro do crânio e que nos transporta a nós para que o transportemos a ele, nunca conseguiu produzir senão intenções vagas, gerais, difusas, e sobretudo pouco variadas, acerca do que as mãos e os dedos deverão fazer. Por exemplo, se ao cérebro da cabeça lhe ocorreu a idéia de uma pintura, ou música, ou escultura, ou literatura, ou boneco de barro, o que ele faz é manifestar o desejo e ficar depois à espera, a ver o que acontece. Só porque despachou uma ordem às mãos e aos dedos, crê, ou finge crer, que isso era tudo quanto se necessitava para que o trabalho, após umas quantas operações executadas pelas extremidades dos braços, aparecesse feito. Nunca teve a curiosidade de se perguntar por que razão o resultado final dessa manipulação, sempre complexa até nas suas mais simples expressões, se assemelha tão pouco ao que havia imaginado antes de dar instruções às mãos.
...
Os comentários das últimas postagens estão respondidos.
Final de semana arretado procês.

domingo, 18 de maio de 2008

dois sentidos

minhas mãos se ocupam de outros afazeres
e os olhos continuam vendo e lendo

segunda-feira, 12 de maio de 2008

jogral trocado

ONDE ESTÃO OS LÍRIOS DO CAMPO?
-O FOGO QUEIMOU!
E O VERSO DA SERRA DO CURRAL?
-MBR DESTRUIU!
ONDE ESTÃO NOSSAS PLANTAS?
-O BRANCO ROUBOU!
E A MISÉRIA?
-O FMI PARIU!
ONDE ESTÃO AS CRIANÇAS?
-BRINCANDO É QUE NÃO!
E OS PAIS DELAS, ONDE ESTÃO?
-VIVENDO É QUE NÃO!
ONDE ESTÃO ENTÃO?
-NA PRISÃO!
-NO PORÃO!
...OU QUEM SABE NO SERTÃO!
E A RACIONALIDADE?
-NÃO FOI O CACHORRO QUE MATOU.

(C/2001)


perfil sem brinco...

do lado direito.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

nem tanto assim...

Porém ainda,

No momento não tenho tempo
Por isso pergunto:
- Quem inventou as métricas e as quantidades?
Experimentemos o 3311

A constante da mola
Sem sustento no ponto
Sem pensamento adverso

Não penses na hora
Em que cantas o canto
Em que causas controverso

Ainda que tardia

Cara mia


(D/95)

quinta-feira, 1 de maio de 2008

A nova criança - Osho

Cada criança nasce com possibilidades tão grandes, com tanto potencial que se tiver permissão e for auxiliada a desenvolver a própria individualidade sem qualquer impedimento vindo dos outros, teremos um mundo lindo, teremos muitos Budas e muitos Sócrates e muitos Jesuses, teremos uma tremenda variedade de gênios. O gênio acontece muito raramente, não porque gênios nasçam raramente, não; o gênio acontece raramente porque é muito difícil escapar do processo de condicionamento da sociedade. Somente de vez em quando uma criança consegue, de alguma forma, escapar de suas garras.
Se você ama, você não interfere e você diz: “Sim, vá com minhas bênçãos. Procure, busque a sua verdade. Seja tudo aquilo que deseja ser. Eu não vou ficar no seu caminho. E não vou incomodá-lo com minhas experiências. Você não é eu. Você pode ter vindo através de mim, mas você não deve ser uma cópia de mim.
Você não deve me imitar. Eu vivi a minha vida – você viva a sua. Não vou sobrecarregá-lo com minhas experiências não vividas. Eu não vou sobrecarregá-lo com meus desejos não satisfeitos. Eu farei com que permaneça leve. Eu o auxiliarei – seja tudo o que quiser ser, com todas as minhas bênçãos e com toda a minha ajuda.
Os filhos vêm através de vocês, mas eles pertencem à Criação, pertencem à totalidade. Não os possua. Não comece a pensar que esses lhes pertencem. Como podem lhes pertencer? Uma vez que essa visão aflore em você, então não haverá mais crueldade. Agora seja consciente. Busque a felicidade. Descubra como ser feliz. Medite, ore, ame. Viva apaixonada e intensamente! Se você tiver conhecido a felicidade, você não será cruel com ninguém – não poderá ser. Se você tiver saboreado algo na vida, jamais será destrutivo com ninguém. Como pode ser destrutivo com seus próprios filhos? Você não pode ser destrutivo com pessoa alguma.
Assim não posso lhe dar a chave de como evitar – eu posso apenas lhe dar um “insight”. O “insight” é: seus pais foram infelizes – por favor, você seja feliz. Seus pais foram inconscientes – você, seja consciente. E essas duas coisas – consciência e felicidade – não são realmente duas coisas, mas dois lados da mesma moeda.
Eu gostaria que vocês tivessem respeito pelas crianças. As crianças merecem todo o respeito que você for capaz de dar porque elas são tão frescas, tão inocentes, tão próximas da divindade. Está na hora de respeitá-las, e não de forçá-las a respeitar todos os tipos de corruptos – astutos, trapaceiros – simplesmente porque são velhos. Eu gostaria de inverter a coisa toda: respeito para com as crianças porque elas estão mais próximas da fonte, você está distante. Elas ainda são originais, você já é uma cópia carbono. E você é capaz de entender o que pode ocorrer se você tiver respeito pelas crianças? Através do amor e do respeito você pode protegê-las, evitando que tomem caminhos errados – não por medo, mas a partir do seu amor e respeito.
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Inté.