sábado, 29 de março de 2008

pirata zine - n. 0

ESPECIARIAS
Sua casa torna-se um centro bitolado
Lá fora não te entendem
Aquela cadeira onde sentas sempre
vai parar no meio da rua,
na esquina do asfalto
Debaixo da sombra descansam, tu e ela, empestadas de pó.

Várias bocas: as do mudo, as falantes.
Beiçudas ou não,
Algumas conservam seus dentes,
E se não for cortada, a LÍNGUA permanece

(Daltônicos)
Há quem diga que os nobres têm sangue azul
Sou mais os ecologistas de sangue verde

terça-feira, 25 de março de 2008

*

Uma Viagem

De pés descalços caminho pelos montes...
Numa transmutação dos tempos,
projeto-me às terras áridas.
Caminhando vou e à medida que vou,
meus dedos vão-se esticando
por sobre os duros torrões.
Em dado momento paro, não mais posso seguir.
Ramificações entranham solo adentro;
enraízo-me no deserto.
À volta, a incoerência, nada, senão a imensidão.
Ergo os braços e mal posso olhar minhas mãos,
diante de tão forte claridade, mas posso sentir.
Sim, sinto a estiração dos ossos rompendo a carne.
Ramos surgem por todos os lados,
e uma densa plumagem cobrem-nos.
Meu corpo? Ah, corpo inútil!

_ Endureça a pele, crie camadas, que sejam fortes o bastante, para segura sustentação!
Se assim não for, tombará!

Ficava desta forma à revelia das modificações temporais,
e fortalecia-me a cada dia que dava abrigo
e alimento aos quê por ali passavam.
Sombrio foi aquele que, depois de breve instante sob mim,
arrancou-me até quase, todas as raízes.
Com trovões, caí ruidosamente.
Esquartejada, minhas partes transformaram-se:
Meus dedos estão seguros por minhas mãos;
Meu tronco sustenta as placas de concreto;
Braços e pernas aguentam o peso das metades.
O que restou? Nada?

_ A cratera inundou-se e os fios contorceram-se nas rachaduras,
entrando, penetrando, para um dia voltarem e submeterem à identificação.

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começa aqui a apresentação:
uma história de desenho de perfis.

quinta-feira, 20 de março de 2008

último R

Reciclar

Consiste em utilizar materiais que seriam descartados como matéria-prima para a fabricação de outros produtos.
A reciclagem é um processo industrial, que difere da reutilização por possibilitar o aproveitamento de grandes volumes de materiais e a produção de produtos efetivamente novos. Muitos setores da indústria papeleira já utilizam o papel reciclado em vários de seus produtos. Latas de alumínio viram novas latas de alumínio utilizadas normalmente. O vidro pode virar um vidro idêntico ao original, sem perda de material.

Exatamente por ser industrial, a reciclagem não é algo que cada um faça pessoalmente, em casa, assim como se pode reduzir ou reutilizar. Mas para que a indústria da reciclagem funcione, a participação de cada cidadão é fundamental.

Aqui termina as postagens dedicadas ao Princípio dos 3R, trazidas daqui http://www.pbh.gov.br/bhrecicla/desperdicio.htm, ainda continuarei com o assunto.

Pus o som, Beethoven Piano Sonatas Jenö Jandó, piano, e fui descascar alho. A Júnia Liz veio, abriu a porta da geladeira, pegou o que queria, fechou a porta. Então ela percebeu a música, subiu na cadeira e pôs um ouvido no alto-falante, aumentou o som.
- Esta música está vindo daqui? Chegou o ouvido novamente.
- Sim. (pausa) Você gostou?
- Gostei.
- É piano, meu amor.

sábado, 8 de março de 2008

elas e outras... e outros

Assim ela não se perderá
(do livro E... Feito de Luz de Ana Cruz)

Ando meio atormentada
com essa história de eu ser educada.
Têm saído muito caro minhas petulâncias.
Por mais que eu insista,
feche os olhos, tape os ouvidos,
eu não consigo.

Vem um calor,
um nó na garganta e se eu não falar,
posso acabar dando um troço, um trem.

Briguei com minha professora,

que não se conforma com meu jeito de ser.
Ela quer e insiste que eu seja igual a todas as crianças da sala.
Que eu aprenda tudo do jeito dela,
tudo dentro daquele método
feito para dar certo.

Quando fazemos uma pergunta,
antes de terminarmos,
ela já tem a resposta na ponta da língua.
Aluno assim, filho assim,
não dá canseira,
deixa a gente sempre no mesmo lugar.

Eu sou a oportunidade para que ela
se torne uma grande mulher, uma ótima profissional.
Mas ela insiste em me tratar com desigualdade,
em não respeitar o fato de que sou diferente.
Quer que eu fique caladinha,
me sentindo inferior.
Por conta disso,
ela fez minha mãe rodar comigo em vários especialistas,
seja da cabeça, seja do comportamento.
Mas eles só olhavam para mim depois que minha mãe
mostrava as minhas belas notas.
E eu ia logo dizendo:
Eu só tiro essas notas para alegria de minha mãe
e para matar de raiva minha professora.

Daí ele me olhava,
fechava a cara
e fazia um jeito de autoridade.
No fundo,
o que eles gostariam mesmo era de me receitar
uma boa surra, para me amansar e me colocar nos eixos.

Mas por serem práticos, modernos, eficientes
e gostarem de efeitos a curto prazo,
logo me receitavam um remédio de tarja preta.
Minha professora faz de tudo para me tornar problemática,
assustada, medrosa e com isso me expulsar da escola.
E depois sai dizendo:
- Ela abandonou a escola!

O que me deixa mesmo intrigada é o fato
de ser eu a única a precisar de um especialista.
Não tem que ser ela também capacitada e especializada?

Outro dia, não resistindo, eu perguntei:
- Professora, a senhora já foi ao psicólogo, terapeuta,
psicanalista, já discutiu psicologia infantil?
- Não, não, não.
Essa foi a resposta completa.

Não me dando por vencida,
perguntei novamente:
- E ao pai de santo, rezadeira, cardecista, protestante, esotérica?
Ela se irritou e gritou:
Só em missa de sétimo dia, casamento e batizado.

Dia desses, ela saiu da sala carregada, desmaiada.
Só porque eu fiz todas as minhas tarefas caladinha, pacatinha,
ela logo veio me futucar, me provocar e disse:
É assim que nós gostamos de você e te aceitamos:
boazinha e obediente.
Aquilo me subiu um trem, um negócio ruim
e logo eu fui dizendo, fui chutando:
Tá pensando o quê?
Que sou uma perdida,
sem mãe e sem pai?
Pensa que sou podre?
Dinheiro é certo que não temos.
Mas conhecimento e sabedoria é o que não falta lá em casa!
Obediente, caladinha...
Poderá na face da Terra existir
coisa mais miserável?

segunda-feira, 3 de março de 2008

lixarte, restarte

O que seria o humano se não fossem as artes?
A transformação da matéria
A eternização – enquanto durar – do momento
da imaginação
o surrealismo
a precisão de externar
o belo, o grotesco
a angústia, os prazeres,
os encantos, as guerras
a denúncia das atrocidades
a busca da liberdade

Um som pra fazer arte. É de um cd que faz parte destas coleções com os livrinhos do folclore brasileiro e cd. Um ótimo presente ganhado da Dona Salete ou, para as meninas, Vó Salete.
As canções: No jardim de belas flores; Hoje eu vi um leão; Boi Barroso; Prenda minha; Eu queria ser balaio; Ai, bota aqui o seu pezinho; Os olhos de Marianita; Rema na canoa; Camaleão; Capelinha de melão; Cana verde, A menina e a figueira.

Reutilizar

Consiste em dar novos usos a materiais que muitas vezes são considerados inúteis e jogados fora.
O que posso fazer para REUTILIZAR?
O exemplo mais clássico de reutilização é usar o verso do papel impresso como papel de rascunho. Mas existem muitas formas de reaproveitar o papel, basta ter criatividade!


Na ilustração ao lado, por exemplo, vemos um rapaz confeccionando uma cestinha com papel de jornal! Aliás, as publicações antigas são ótimas fontes de diversão educativa para crianças. Deixe-as desenhar nos jornais, fazer colagens com revistas velhas, aprender dobraduras ou até inventar sua própria brincadeira!
Mas não é só o papel que pode ser reutilizado. Potes de plástico, vidro ou até de metal podem ser lavados e usados para guardar alimentos ou objetos. Latinhas de refrigerante podem virar porta-lápis. Embalagens longa vida podem virar vasinhos de plantas. Garrafas PET podem virar uma infinidade de coisas: porta-lápis, vasinhos de plantas, pesos de papel, bijuterias, castiçais, etc.
Peças eletrônicas, cds estragados, retalhos de pano ou papel, tampinhas de refrigerante, papelões, isopores, praticamente todo tipo de material pode virar outra coisa – útil, divertida ou apenas decorativa – quando se usa a criatividade.
Desde que em bom estado, até restos de alimentos podem ser reutilizados! Tortas de legumes com as sobras da salada e bolinhos com as sobras do arroz são apenas as opções mais tradicionais. Experimente fazer um belo suco de casca do abacaxi ou utilizar talos de verduras em tortas ou sopas.